Rui Machado / António Chainho
Repertório de: Teresa Salgueiro
Se a noite escura demora
Cativa dentro do peito
Pressinto quando me deito
A voz de alguém
Que hoje não vem
E mora em mim a toda a hora
Falando grave e escondida
Por entre as coisas reais
Suspende a força da vida
E não é ninguém:
Ah, não é ninguém
Somente sombra e nada mais
Porém a voz que se ouvia
Morre com a noite no cais
E o sol agora me alumia
Melros
Frederico de Brito / José Marques *fado rigoroso*
Repertório de ?
Aquele melro negro e zombeteiro
Que à beira do regato fez o ninho
Andou a assobiar o dia inteiro
A querer desafiar um pastorinho
Também soube imitar suas baladas
Do alto das ameias dos silvados
Que as pobres ovelhinhas enganadas
Perderam-se nas sombras dos valados
Assim, foi descambando a tarde fria
E o Sol guardou no mar seu rubro disco
Nenhuma das ovelhas conhecia
Qual era o bom caminho do aprisco
Quando a noite desceu e o luar brando
Pedia aos rouxinóis canções de amor
Ainda o melro andava assobiando
A rir, das ovelhinhas, do pastor
Agora, este conceito guardo apenas
Da história que me serve a mim também
Ninguém deve fiar-se em cantilenas
Há melros que assobiam muito bem
Repertório de ?
Aquele melro negro e zombeteiro
Que à beira do regato fez o ninho
Andou a assobiar o dia inteiro
A querer desafiar um pastorinho
Também soube imitar suas baladas
Do alto das ameias dos silvados
Que as pobres ovelhinhas enganadas
Perderam-se nas sombras dos valados
Assim, foi descambando a tarde fria
E o Sol guardou no mar seu rubro disco
Nenhuma das ovelhas conhecia
Qual era o bom caminho do aprisco
Quando a noite desceu e o luar brando
Pedia aos rouxinóis canções de amor
Ainda o melro andava assobiando
A rir, das ovelhinhas, do pastor
Agora, este conceito guardo apenas
Da história que me serve a mim também
Ninguém deve fiar-se em cantilenas
Há melros que assobiam muito bem
Renasce
Letra e música de: João Veiga
Intérprete: Katia Guerreiro
Renasce a cada instante que passa no meu pensamento
Os poentes passados contigo à beira mar
Quando as marés não mudavam
E as ondas para nós cantavam
Vezes sem conta este fado sem nunca parar
Renasce em cada hora que passa esta enorme saudade
De te amar sempre assim, assim como agora
Pode o mundo dar as voltas que der
Que o nosso amor neste fado há-de ser
Cantado de mim para ti pela vida fora
Beijo o teu corpo
Sabe a madrugada por acontecer
Sabe a água fresca
Sabe a flores silvestres e a renascer
Ao perfume dos dias
Sabe a tarde calma, sabe a ilusão
Sabe à tua alma, sabe a sedução
Renasce a cada tarde que passa esta estranha ilusão
Parece sentir-te chegar ouvindo os teus passos
De repente toda a saudade
Se desvanece na claridade
No brilho dos teus olhos e dos teus abraços
Renasce em cada noite que passa uma saudade maior
De tudo o que a vida nos deu de bom e diferente
Mas na praia ficaram na areia
Nossos beijos feitos maré-cheia
E a lua como nós ficou em quarto crescente
Intérprete: Katia Guerreiro
Renasce a cada instante que passa no meu pensamento
Os poentes passados contigo à beira mar
Quando as marés não mudavam
E as ondas para nós cantavam
Vezes sem conta este fado sem nunca parar
Renasce em cada hora que passa esta enorme saudade
De te amar sempre assim, assim como agora
Pode o mundo dar as voltas que der
Que o nosso amor neste fado há-de ser
Cantado de mim para ti pela vida fora
Beijo o teu corpo
Sabe a madrugada por acontecer
Sabe a água fresca
Sabe a flores silvestres e a renascer
Ao perfume dos dias
Sabe a tarde calma, sabe a ilusão
Sabe à tua alma, sabe a sedução
Renasce a cada tarde que passa esta estranha ilusão
Parece sentir-te chegar ouvindo os teus passos
De repente toda a saudade
Se desvanece na claridade
No brilho dos teus olhos e dos teus abraços
Renasce em cada noite que passa uma saudade maior
De tudo o que a vida nos deu de bom e diferente
Mas na praia ficaram na areia
Nossos beijos feitos maré-cheia
E a lua como nós ficou em quarto crescente
Deve ter sido por graça
João Monge / João Gil
Repertório de Ana Sofia Varela
Piscaste o olho e sorri / Deve ter sido por graça
Virei a cara e fingi / Que só estava a a ver quem passa
E só reparei em ti
Porque dançavas com raça
Piscaste o olho e sorri
Deve ter sido por graça
Pus um xaile adamascado / Para ver passar Alfama
E se vinhas destacado / É porque andavas em fama
Com o teu olhar de fado
Quando olha já chama
Pus um xaile adamascado
Para ver passar Alfama
Deste-me o braço ao passar / Deve ter sido por graça
E levaste-me a marchar / Do Marquês até á Praça
Santo Antóno no altar
Dá o nome a quem enlaça
Deste-me o braço ao passar
Deve ter sido por graça
Repertório de Ana Sofia Varela
Piscaste o olho e sorri / Deve ter sido por graça
Virei a cara e fingi / Que só estava a a ver quem passa
E só reparei em ti
Porque dançavas com raça
Piscaste o olho e sorri
Deve ter sido por graça
Pus um xaile adamascado / Para ver passar Alfama
E se vinhas destacado / É porque andavas em fama
Com o teu olhar de fado
Quando olha já chama
Pus um xaile adamascado
Para ver passar Alfama
Deste-me o braço ao passar / Deve ter sido por graça
E levaste-me a marchar / Do Marquês até á Praça
Santo Antóno no altar
Dá o nome a quem enlaça
Deste-me o braço ao passar
Deve ter sido por graça
As luvas de minha mãe
João Monge / João Gil
Repertório de Ana Sofia Varela
De onde vem
O regaço permanente
Esse beijo transparente
Que me dás só de o pensar
De onde vem
A promessa de alegria
A doce melancolia
Que eu herdei do teu olhar
De onde vem
Este amor que me pressente
Que me dói se estou ausente
Dessa dôr que ele me tem
De onde vem
O saber não aprendido
Do coração aquecido
Nas luvas de minha mãe
Repertório de Ana Sofia Varela
De onde vem
O regaço permanente
Esse beijo transparente
Que me dás só de o pensar
De onde vem
A promessa de alegria
A doce melancolia
Que eu herdei do teu olhar
De onde vem
Este amor que me pressente
Que me dói se estou ausente
Dessa dôr que ele me tem
De onde vem
O saber não aprendido
Do coração aquecido
Nas luvas de minha mãe
Fadinho da comida
António Avelar Pinho / Nuno Rodrigues
Repertório de: Tonicha
Quem me dera o velho gosto do cozido
Como dantes se fazia
Quando a gente enchia o nosso próprio enchido
Ai que bem que me sabia, como dantes se fazia
Quem me dera ainda aquele pão caseiro
Que bom cheiro que ele tinha
Quando a gente então passava p'lo padeiro
de manhã, de manhãzinha
Ai que gosto que a comida tinha outrora
Ai que gosto nos dava então comê-la
Porque agora em vez de gosto tem um preço
Que por subir de hora a hora
Já nem dá vontade vê-la
Quem me dera que a batata ainda tivesse
Sendo nova o gosto antigo
E ao casar com o bacalhau então pudesse
A gente cá chamar-lhe um figo, ao gosto antigo
Quem me dera ter alfaces bem verdinhas
Mas são quasi clandestinas
Pois agora nestas hortas alfacinhas
só lá cheira a pesticidas.
Quem me dera que soubesse o carapau
Como dantes me sabia
E pensar que agora sei já não ser mau
Não saber a porcaria, como dantes não sabia
Quem me dera fosse puro o meu azeite
Como era antigamente
Quando a vaca já nem gosto põe no leite
Com franqueza, francamente
Repertório de: Tonicha
Quem me dera o velho gosto do cozido
Como dantes se fazia
Quando a gente enchia o nosso próprio enchido
Ai que bem que me sabia, como dantes se fazia
Quem me dera ainda aquele pão caseiro
Que bom cheiro que ele tinha
Quando a gente então passava p'lo padeiro
de manhã, de manhãzinha
Ai que gosto que a comida tinha outrora
Ai que gosto nos dava então comê-la
Porque agora em vez de gosto tem um preço
Que por subir de hora a hora
Já nem dá vontade vê-la
Quem me dera que a batata ainda tivesse
Sendo nova o gosto antigo
E ao casar com o bacalhau então pudesse
A gente cá chamar-lhe um figo, ao gosto antigo
Quem me dera ter alfaces bem verdinhas
Mas são quasi clandestinas
Pois agora nestas hortas alfacinhas
só lá cheira a pesticidas.
Quem me dera que soubesse o carapau
Como dantes me sabia
E pensar que agora sei já não ser mau
Não saber a porcaria, como dantes não sabia
Quem me dera fosse puro o meu azeite
Como era antigamente
Quando a vaca já nem gosto põe no leite
Com franqueza, francamente
É de Lisboa
António José / Lídia Lurdes da Costa
Repertório de: Amália Rodrigues
Cidade assim tão bonita
Não há no mundo, eu aposto
A ninguém com isto iludo
Pois tem lá tudo
Do que eu mais gosto
Na viela mais antiga
Ou numa rua qualquer
Os versos duma cantiga são
Quantas vezes o pão
Que a gente quer
É de Lisboa a Sé já tão velhinha
Onde o povo alfacinha reza por ela
É de Lisboa a tela de mil cores
Pintada com as flores que tem cada janela
É de Lisboa o pregão da varina
Que ao virar duma esquina alegre soa
E a verdade que salta tanto à vista
A saudade fadista também é de Lisboa
Num arraial popular
Ao som do vulgar harmónio
Quem não gosta de bailar
Sempre que chega o Santo António
A saltar uma fogueira
Na noite de São João
Fui sozinha mas voltámos dois
Porque queimei depois
Meu coração
Repertório de: Amália Rodrigues
Cidade assim tão bonita
Não há no mundo, eu aposto
A ninguém com isto iludo
Pois tem lá tudo
Do que eu mais gosto
Na viela mais antiga
Ou numa rua qualquer
Os versos duma cantiga são
Quantas vezes o pão
Que a gente quer
É de Lisboa a Sé já tão velhinha
Onde o povo alfacinha reza por ela
É de Lisboa a tela de mil cores
Pintada com as flores que tem cada janela
É de Lisboa o pregão da varina
Que ao virar duma esquina alegre soa
E a verdade que salta tanto à vista
A saudade fadista também é de Lisboa
Num arraial popular
Ao som do vulgar harmónio
Quem não gosta de bailar
Sempre que chega o Santo António
A saltar uma fogueira
Na noite de São João
Fui sozinha mas voltámos dois
Porque queimei depois
Meu coração
Para lá do nevoeiro
Afonso Dias / Franklin Godinho *fado franklin*
Repertório de Afonso Dias
Fardado de marinheiro
Fiz-me ao sonho, num veleiro
E apontei aos horizontes
Sobre as águas alteradas
Desenhei rotas e estradas
No medo projectei pontes
Tracei o mapa com estrelas
E o alinhavo das velas / Foi cordame de guitarras
Em remansos ancorado
Dei enseadas ao fado / Nos nós com que atei amarras
Para lá do nevoeiro
Soletrei o som e o cheiro / Do batuque e da canela
Na estranha pele de veludo
Dei-me todo e tive tudo / Á sombra da minha vela
Fado a fado, se fizeram
Os passos que se cruzaram / Na rota das minhas pontes
E ao meu porto regressado
Fiquei para sempre ancorado / Na ponta dos horizontes
Repertório de Afonso Dias
Fardado de marinheiro
Fiz-me ao sonho, num veleiro
E apontei aos horizontes
Sobre as águas alteradas
Desenhei rotas e estradas
No medo projectei pontes
Tracei o mapa com estrelas
E o alinhavo das velas / Foi cordame de guitarras
Em remansos ancorado
Dei enseadas ao fado / Nos nós com que atei amarras
Para lá do nevoeiro
Soletrei o som e o cheiro / Do batuque e da canela
Na estranha pele de veludo
Dei-me todo e tive tudo / Á sombra da minha vela
Fado a fado, se fizeram
Os passos que se cruzaram / Na rota das minhas pontes
E ao meu porto regressado
Fiquei para sempre ancorado / Na ponta dos horizontes
Fado em cinco estilos
Silva Tavares / Popular *arr. Maria Teresa de Noronha*
Repertório de: Maria Teresa de Noronha
Eu quero bem aos teus olhos
Mas muito mais quero aos meus
Pois se perdesse meus olhos
Não podia ver os teus
Se eu de saudades morrer / Apalpa meu coração
Talvez eu torne a viver / Ao calor da tua mão
Se os meus olhos te incomodam / Quando estão na tua frente
Eu prometo arrancá-los / E amar-te cegamente
Gosto de cantar o fado / Acho que o fado tem raça
E que não foi só criado / Para cantar a desgraça
Repertório de: Maria Teresa de Noronha
Eu quero bem aos teus olhos
Mas muito mais quero aos meus
Pois se perdesse meus olhos
Não podia ver os teus
Se eu de saudades morrer / Apalpa meu coração
Talvez eu torne a viver / Ao calor da tua mão
Se os meus olhos te incomodam / Quando estão na tua frente
Eu prometo arrancá-los / E amar-te cegamente
Gosto de cantar o fado / Acho que o fado tem raça
E que não foi só criado / Para cantar a desgraça
Maré viva
Rosa Lobato de Faria / Mário Pacheco
Repertório de: Camané
Primeiro a tua mão sobre o meu seio;
Depois um pé – o teu – sobre o meu pé
Logo o roçar urgente do joelho
E o ventre mais à frente da maré
É a onda do ombro que se instala
É a linha do dorso que se inscreve
A mão agora impõe, já não embala
Mas o beijo é carícia, de tão leve
O corpo roda: quer mais pele, mais quente
A boca exige: quer mais sol mais morno
Já não há gesto que se não invente
Audácia que não ache um abandono
Então já a maré subiu de vez:
É todo um mar que inunda a nossa cama
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré-alta de quem ama
Por fim, o sono calmo que não é
Senão ternura, intimidade, enleio
O meu pé descansando no teu pé
A tua mão dormindo no meu seio
Repertório de: Camané
Primeiro a tua mão sobre o meu seio;
Depois um pé – o teu – sobre o meu pé
Logo o roçar urgente do joelho
E o ventre mais à frente da maré
É a onda do ombro que se instala
É a linha do dorso que se inscreve
A mão agora impõe, já não embala
Mas o beijo é carícia, de tão leve
O corpo roda: quer mais pele, mais quente
A boca exige: quer mais sol mais morno
Já não há gesto que se não invente
Audácia que não ache um abandono
Então já a maré subiu de vez:
É todo um mar que inunda a nossa cama
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré-alta de quem ama
Por fim, o sono calmo que não é
Senão ternura, intimidade, enleio
O meu pé descansando no teu pé
A tua mão dormindo no meu seio
Claridade
José Luís Gordo / Alfredo Duarte "fado bailado"
Repertório de: Maria da Fé
É tão grande a claridade
E nada, nada me deu;
Quem me traz nesta ansiedade
Que noite veste a saudade
Que coração me esqueceu
Caminho dentro dos fados / Na loucura dos poetas
De silêncios magoados / Tantos sonhos acordados
Em tantas ruas secretas
Quem me tenta adivinhar / E tenta seguir meus passos
Quem me roubou o luar / Que acendia o meu olhar
E se deitava em meus braços
Na claridade do dia / Passo o tempo à tua espera
Nesta claridade fria / A desejada alegria
Morreu triste à nossa espera
Repertório de: Maria da Fé
É tão grande a claridade
E nada, nada me deu;
Quem me traz nesta ansiedade
Que noite veste a saudade
Que coração me esqueceu
Caminho dentro dos fados / Na loucura dos poetas
De silêncios magoados / Tantos sonhos acordados
Em tantas ruas secretas
Quem me tenta adivinhar / E tenta seguir meus passos
Quem me roubou o luar / Que acendia o meu olhar
E se deitava em meus braços
Na claridade do dia / Passo o tempo à tua espera
Nesta claridade fria / A desejada alegria
Morreu triste à nossa espera
Fado da capicua
Vasco Graça Moura / Carlos Maria Trindade
Repertório de: Anabela
Telefonei-te da rua 32123 urgente
Dizes que te deixe em paz
Azar o da capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
Moras no beco da lua 101 lado nascente
Mas em casa nunca estás
Má sina a da capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
É dia 11 a tua festa e eu não vou lá estar presente
33 anos farás
Há sempre uma capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
De 1001 modos flutua a sonhar-te a minha mente
Nas horas boas e más
Ansiosa capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
Mas se o olhar nos desagua e em meus olhos de repente
O par dos teus se compraz
É bonita a capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
Repertório de: Anabela
Telefonei-te da rua 32123 urgente
Dizes que te deixe em paz
Azar o da capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
Moras no beco da lua 101 lado nascente
Mas em casa nunca estás
Má sina a da capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
É dia 11 a tua festa e eu não vou lá estar presente
33 anos farás
Há sempre uma capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
De 1001 modos flutua a sonhar-te a minha mente
Nas horas boas e más
Ansiosa capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
Mas se o olhar nos desagua e em meus olhos de repente
O par dos teus se compraz
É bonita a capicua
Que se lê de trás para a frente
E da frente para trás
Vestido azul
Henrique Rego / Alfredo Rodrigo Duarte *fado maria marques*
Repertório de: Alfredo Duarte Júnior
Vestido azul, que riqueza
Que maravilha de cor
P’ra realçar-te a beleza
Não existe outra melhor
Já disseram trovadores / Ao som suave das liras
Que és uma estrela d’amores / A transbordar de safiras
Num louco deslumbramento / Anda o meu olhar perdido
Vendo a cor do firmamento / A bailar no teu vestido
Não é só o teu vestido / Que nesta vida me enleva
Também ando embevecido / Dos teus olhos cor de treva
Se cantar é a minha sina / Cantarei de norte a sul
A cor formosa e divina / Desse teu vestido azul
Julgo ao ver-te assim vestida / Quando passas pela rua
Que és uma estrela fugida / Do grande império da Lua
Repertório de: Alfredo Duarte Júnior
Vestido azul, que riqueza
Que maravilha de cor
P’ra realçar-te a beleza
Não existe outra melhor
Já disseram trovadores / Ao som suave das liras
Que és uma estrela d’amores / A transbordar de safiras
Num louco deslumbramento / Anda o meu olhar perdido
Vendo a cor do firmamento / A bailar no teu vestido
Não é só o teu vestido / Que nesta vida me enleva
Também ando embevecido / Dos teus olhos cor de treva
Se cantar é a minha sina / Cantarei de norte a sul
A cor formosa e divina / Desse teu vestido azul
Julgo ao ver-te assim vestida / Quando passas pela rua
Que és uma estrela fugida / Do grande império da Lua
A saudade que me deste
Fernando Peres / Acácio Gomes dos Santos
Repertório de: Maria Amélia Proença
São vidas desencontradas
As nossas almas cansadas
Do que o destino nos deu;
De tantas horas perdidas
Faria a vida, mil vidas
De tudo quanto morreu
Na saudade do que fomos
A tristeza do que somos / Sonho de um sonho desfeito
O engano em que vivemos
O remorso em que trazemos / A mágoa dentro do peito
Estamos juntos e distantes
Longe em todos os instantes / Cansados de já não querer
Talvez um resto de vida
Feito de esperança perdida / Que já não queremos viver
Repertório de: Maria Amélia Proença
São vidas desencontradas
As nossas almas cansadas
Do que o destino nos deu;
De tantas horas perdidas
Faria a vida, mil vidas
De tudo quanto morreu
Na saudade do que fomos
A tristeza do que somos / Sonho de um sonho desfeito
O engano em que vivemos
O remorso em que trazemos / A mágoa dentro do peito
Estamos juntos e distantes
Longe em todos os instantes / Cansados de já não querer
Talvez um resto de vida
Feito de esperança perdida / Que já não queremos viver
Leva-me aos fados
Letra e musica de Jorge Fernando
Repertório de Ana Moura
Chegaste a horas como é costume
Bebe um café que eu desabafo o meu queixume
Na minha vida nada dá certo
Mais um amor que de findar me está tão perto
Leva-me aos fados
Onde eu sossego
As desventuras do amor a que me entrego
Leva-me aos fados
Que eu vou perder-me
Nas velhas quadras que parecem conhecer-me
Dá-me um conselho que o teu bom senso
É o aconchego de que há tempos não dispenso
Caí de novo mas quero erguer-me
Olhar-me ao espelho e tentar reconhecer-me
Repertório de Ana Moura
Chegaste a horas como é costume
Bebe um café que eu desabafo o meu queixume
Na minha vida nada dá certo
Mais um amor que de findar me está tão perto
Leva-me aos fados
Onde eu sossego
As desventuras do amor a que me entrego
Leva-me aos fados
Que eu vou perder-me
Nas velhas quadras que parecem conhecer-me
Dá-me um conselho que o teu bom senso
É o aconchego de que há tempos não dispenso
Caí de novo mas quero erguer-me
Olhar-me ao espelho e tentar reconhecer-me
Fado vestido de fado
Fernando Maurício, Mário Raínho / Popular *fado corrido*
Repertório de Ana Moura
Se fado é tristeza e dor
Se é ciúme, se é pecado
Que serás tu, meu amor
Todo vestido de fado
Talvez sejas o quebranto / Meu pranto em horas tardias
Rosário de Avé-marias / Que rezo quanto te canto;
Pois fico neste entretanto / Dum acorde desenhado
Porque te chamo num fado / Te canto com tal fervor
Se fado é tristeza e dor
Se é ciúme, se é pecado
Os meus sentidos dispersos / Não me conseguem dizer
Razões da minh’alma ser / Refúgio de tantos versos;
Mistério dos universos / P'ra onde foi atirado
Este desejo rogado / Na minha voz em clamor
Que serás tu, meu amor
Todo vestido de fado
Repertório de Ana Moura
Se fado é tristeza e dor
Se é ciúme, se é pecado
Que serás tu, meu amor
Todo vestido de fado
Talvez sejas o quebranto / Meu pranto em horas tardias
Rosário de Avé-marias / Que rezo quanto te canto;
Pois fico neste entretanto / Dum acorde desenhado
Porque te chamo num fado / Te canto com tal fervor
Se fado é tristeza e dor
Se é ciúme, se é pecado
Os meus sentidos dispersos / Não me conseguem dizer
Razões da minh’alma ser / Refúgio de tantos versos;
Mistério dos universos / P'ra onde foi atirado
Este desejo rogado / Na minha voz em clamor
Que serás tu, meu amor
Todo vestido de fado
Na palma da mão
Letra e musica de Jorge Fernando
Repertório de Ana Moura
Eu queria escrever-te umas quadras diferentes
Daquelas repletas de amores e de pó
Versejar constante, consequente e urgente
Onde o protagonista acaba sempre só
Quadras dispersas, distintas, pontuadas
A roçar um ponto algures na emoção
À beira do abismo, arriscada escalada
Ao ponto mais alto que tem o coração
Mas se eu cair tonta, das altas alturas
Por sobre os penhascos das linhas da mão
Peço que a feches, que em boa ventura
Sentirás parar o meu coração
Mantém-na fechada que o riso do susto
Pode arredondar os teus olhos e então
As pupilas lassas revelam-te a custo
Que sou mais uma linha na tua palma da mão
Repertório de Ana Moura
Eu queria escrever-te umas quadras diferentes
Daquelas repletas de amores e de pó
Versejar constante, consequente e urgente
Onde o protagonista acaba sempre só
Quadras dispersas, distintas, pontuadas
A roçar um ponto algures na emoção
À beira do abismo, arriscada escalada
Ao ponto mais alto que tem o coração
Mas se eu cair tonta, das altas alturas
Por sobre os penhascos das linhas da mão
Peço que a feches, que em boa ventura
Sentirás parar o meu coração
Mantém-na fechada que o riso do susto
Pode arredondar os teus olhos e então
As pupilas lassas revelam-te a custo
Que sou mais uma linha na tua palma da mão
Não é um fado normal
Letra e musica de Amélia Muge
Repertório de Ana Moura
Olhas p’ra mim com esse ar reservado
A estoirar pelas costuras
Nem sei se estou em Lisboa
Será que é Tóquio ou Berlin?
Tu não me olhes assim!
Porque o teu olhar tem ópio
Tem quebras nos equinócios
Pitadas de gergelim
Mas se isto é fado
Ponho o gergelim de lado
Vou buscar o alecrim
E tu sempre a olhar p’ra mim;
Como se alecrim aos molhos
Atraíssem os meus olhos
Não tenho nada com isso
Alguém que quebre este enguiço
Que eu não respondo por mim
E já estou, quase a trocar o mal pelo bem e o bem pelo mal
Se isto é fado, não é um fado normal
A trocar, o mal pelo bem e o bem pelo mal
Não é um fado normal
Vou por lugares nunca dantes visitados
E há que ter alguns cuidados / Porque bússola não há
E baralham-se os sentidos / Se andamos ao Deus-dará
Sem sentinelas nos olhos / Vou confiar no ouvido
E nada vai estar perdido
Mas se isto é fado
Vou entristecer o quadro
P’ra tom de cinza acordado
Que eu não quero exagerar;
No meio do nevoeiro
Teimo em ver o teu olhar
Que sei não ser derradeiro
Alguma coisa se solta
Que talvez não tenha volta
Repertório de Ana Moura
Olhas p’ra mim com esse ar reservado
A estoirar pelas costuras
Nem sei se estou em Lisboa
Será que é Tóquio ou Berlin?
Tu não me olhes assim!
Porque o teu olhar tem ópio
Tem quebras nos equinócios
Pitadas de gergelim
Mas se isto é fado
Ponho o gergelim de lado
Vou buscar o alecrim
E tu sempre a olhar p’ra mim;
Como se alecrim aos molhos
Atraíssem os meus olhos
Não tenho nada com isso
Alguém que quebre este enguiço
Que eu não respondo por mim
E já estou, quase a trocar o mal pelo bem e o bem pelo mal
Se isto é fado, não é um fado normal
A trocar, o mal pelo bem e o bem pelo mal
Não é um fado normal
Vou por lugares nunca dantes visitados
E há que ter alguns cuidados / Porque bússola não há
E baralham-se os sentidos / Se andamos ao Deus-dará
Sem sentinelas nos olhos / Vou confiar no ouvido
E nada vai estar perdido
Mas se isto é fado
Vou entristecer o quadro
P’ra tom de cinza acordado
Que eu não quero exagerar;
No meio do nevoeiro
Teimo em ver o teu olhar
Que sei não ser derradeiro
Alguma coisa se solta
Que talvez não tenha volta
Talvez depois
Jorge Fernando / Custódio Castelo
Repertório de Ana Moura
Deixei de mim as frases que trocámos
Os beijos e o tédio de os não ter
Sem querer nós nos cegámos
Sem querermos ver
As roupas e os livros não os trouxe
Que se envelheçam cobertos de pó
Por querermos que assim fosse
Deixo-te só
Recuso a sombra, triste véu sobre minh’alma
Quero-me longe e sem tremores fujo de mim
Esmorece o dia, cai a noite e não se acalma
O querer saber qual a razão de ver-me assim
Não sei ser razoável nem te espero
No tempo que pediste p’ra nós dois
Amar-te assim não quero
Talvez depois
Marcaste a minha dúvida cinzenta
Do sentimento que te unia a mim
Sabê-lo não me alenta
Melhor o fim
Palavras... só palavras que como alento
Seduzem a minh’alma a querer-te tanto
Atrais-me o pensamento
Como um quebranto
Repertório de Ana Moura
Deixei de mim as frases que trocámos
Os beijos e o tédio de os não ter
Sem querer nós nos cegámos
Sem querermos ver
As roupas e os livros não os trouxe
Que se envelheçam cobertos de pó
Por querermos que assim fosse
Deixo-te só
Recuso a sombra, triste véu sobre minh’alma
Quero-me longe e sem tremores fujo de mim
Esmorece o dia, cai a noite e não se acalma
O querer saber qual a razão de ver-me assim
Não sei ser razoável nem te espero
No tempo que pediste p’ra nós dois
Amar-te assim não quero
Talvez depois
Marcaste a minha dúvida cinzenta
Do sentimento que te unia a mim
Sabê-lo não me alenta
Melhor o fim
Palavras... só palavras que como alento
Seduzem a minh’alma a querer-te tanto
Atrais-me o pensamento
Como um quebranto
Fado das mágoas
Jorge Fernando / José Manuel David
Repertório de Ana Moura
As mágoas não me doem, não são mágoas
No plano da minh’alma já não moram
Se as águas se evaporam, não são águas
São etéreas lembranças do que foram
O canto que então frágil não contive
Do cimo dos meu olhos se lançou
Que de tanto chorar não mais o tive
Nem a última das lágrimas me ficou
Não deitei fora as dores, mas hoje trago-as
À beira do meu ser de ti deserto
O que vês nos meus olhos não são mágoas
São penas dum amor que não deu certo
Repertório de Ana Moura
As mágoas não me doem, não são mágoas
No plano da minh’alma já não moram
Se as águas se evaporam, não são águas
São etéreas lembranças do que foram
O canto que então frágil não contive
Do cimo dos meu olhos se lançou
Que de tanto chorar não mais o tive
Nem a última das lágrimas me ficou
Não deitei fora as dores, mas hoje trago-as
À beira do meu ser de ti deserto
O que vês nos meus olhos não são mágoas
São penas dum amor que não deu certo
Por minha conta
Letra e musica de Jorge Fernando
Repertório de Ana Moura
Fiquei por minha conta / Mercê dum passo incerto
A culpa em mim se apronta / Ronda-me a alma por perto
Fiquei num olhar fundo / Perdido não sei onde
Só sei cede-me ao mundo / Onde o meu ser se esconde
A noite é fria, nublosa bruma
Que me seguia a parte nenhuma
Tudo é vazio na mão fechada
Cerra-se o frio, não dou por nada
Fiquei ao fim de tudo / Num tudo sem ter fim
E a voz dum grito mudo / Anseia saber de mim
Repertório de Ana Moura
Fiquei por minha conta / Mercê dum passo incerto
A culpa em mim se apronta / Ronda-me a alma por perto
Fiquei num olhar fundo / Perdido não sei onde
Só sei cede-me ao mundo / Onde o meu ser se esconde
A noite é fria, nublosa bruma
Que me seguia a parte nenhuma
Tudo é vazio na mão fechada
Cerra-se o frio, não dou por nada
Fiquei ao fim de tudo / Num tudo sem ter fim
E a voz dum grito mudo / Anseia saber de mim
Que dizer de nós
Jorge Fernando / Ana Moura
Repertório de Ana Moura
A sombra ensombra-me os dias / Num divagar lento
As mãos dobradas vazias / Por sobre o próprio lamento
Que dizer de nós amor?
Sentam-se as horas
Rodopiam os segundos na perseguição de nós;
Como abismo escuro e fundo
Que atrai-me assim o ser e a voz
Não é mais do que um perdido lamento atroz
Perdidos olhos vagueiam / Olham sem ver, cegos
Redondas frases anseiam / Fazer-se voz eu nego
Que dizer de nós amor?
Tudo se oculta
Tudo é estreito e estreita em nós a margem da culpa
Como a sombra a que me dei
Que atrai-me assim o ser e a voz
Não é mais do que um perdido lamento atroz
Repertório de Ana Moura
A sombra ensombra-me os dias / Num divagar lento
As mãos dobradas vazias / Por sobre o próprio lamento
Que dizer de nós amor?
Sentam-se as horas
Rodopiam os segundos na perseguição de nós;
Como abismo escuro e fundo
Que atrai-me assim o ser e a voz
Não é mais do que um perdido lamento atroz
Perdidos olhos vagueiam / Olham sem ver, cegos
Redondas frases anseiam / Fazer-se voz eu nego
Que dizer de nós amor?
Tudo se oculta
Tudo é estreito e estreita em nós a margem da culpa
Como a sombra a que me dei
Que atrai-me assim o ser e a voz
Não é mais do que um perdido lamento atroz
Fado das águas
Mário Raínho / Alfredo Marceneiro *fado bailado*
Repertório de Ana Moura
Dentro do rio que corre
No leito da minha voz;
Há uma saudade que morre
Dentro do rio que corre
Em lágrimas até à foz
Dentro do mar mais profundo / Reflectido em meu olhar
Não pára o pranto um segundo
Dentro do mar mais profundo / No meu rosto a desmaiar
Dentro das águas nascentes / Das fontes que a alma canta
Num crescendo de correntes
Dentro das águas nascentes / Correm mágoas p’la garganta
Dentro da chuva caída / Como franjas do meu fado
Eu encharco a minha vida
Dentro da chuva caída / Meu canto é d’águas lavado
Eu encharco a minha vida
Dentro da chuva caída
Como franjas do meu fado
Repertório de Ana Moura
Dentro do rio que corre
No leito da minha voz;
Há uma saudade que morre
Dentro do rio que corre
Em lágrimas até à foz
Dentro do mar mais profundo / Reflectido em meu olhar
Não pára o pranto um segundo
Dentro do mar mais profundo / No meu rosto a desmaiar
Dentro das águas nascentes / Das fontes que a alma canta
Num crescendo de correntes
Dentro das águas nascentes / Correm mágoas p’la garganta
Dentro da chuva caída / Como franjas do meu fado
Eu encharco a minha vida
Dentro da chuva caída / Meu canto é d’águas lavado
Eu encharco a minha vida
Dentro da chuva caída
Como franjas do meu fado
Esta noite - Ana Moura
Jorge Fernando / Alfredo Marceneiro *marcha do marceneiro*
Repertório de Ana Moura
Esta noite saio à rua
Não vou carpir mais as mágoas
Neste meu quarto fechado;
O que no peito se amua
São dores, e eu triste trago-as
Na boca em forma dum fado
Esta noite não me escondo
Entre as mãos trémulas frias / Da solidão a buscar-me
Sai-me do peito redondo
Um suspiro e as agonias / A que não quero mais dar-me
Esta noite não reclamo
A luz sombria do quarto / Em que a mágoa se acentua
Ponho de parte o que eu chamo
A dor de um passado ingrato / Esta noite saio à rua
Repertório de Ana Moura
Esta noite saio à rua
Não vou carpir mais as mágoas
Neste meu quarto fechado;
O que no peito se amua
São dores, e eu triste trago-as
Na boca em forma dum fado
Esta noite não me escondo
Entre as mãos trémulas frias / Da solidão a buscar-me
Sai-me do peito redondo
Um suspiro e as agonias / A que não quero mais dar-me
Esta noite não reclamo
A luz sombria do quarto / Em que a mágoa se acentua
Ponho de parte o que eu chamo
A dor de um passado ingrato / Esta noite saio à rua
De quando em vez
Mário Raínho / João Maria dos Anjos
Repertório de Ana Moura
De quando em vez lá te entregas
Nesse sim em que te negas
Ou nesse não que me é tanto;
Não te pergunto os porquês
Deste amar de quando em vez
Ou talvez de vez em quando
Quase sempre de fugida
Como criança escondida / Nosso amor brinca com o fogo
Se queremos dizer adeus
Porque dizemos *Meu Deus* / Simplesmente um *até logo*
E o enleio continua
À mercê de qualquer lua / Que nos comanda os sentidos
E a paixão que não tem siso
Deixa-nos sem pré-aviso / De corpo e alma despidos
Por teimosia ou loucura
Algemamos a ventura / Do amor em nós reencarnando
Prefiro, como tu vês
Amar-te de quando em vez / Ou talvez de vez em quando
Repertório de Ana Moura
De quando em vez lá te entregas
Nesse sim em que te negas
Ou nesse não que me é tanto;
Não te pergunto os porquês
Deste amar de quando em vez
Ou talvez de vez em quando
Quase sempre de fugida
Como criança escondida / Nosso amor brinca com o fogo
Se queremos dizer adeus
Porque dizemos *Meu Deus* / Simplesmente um *até logo*
E o enleio continua
À mercê de qualquer lua / Que nos comanda os sentidos
E a paixão que não tem siso
Deixa-nos sem pré-aviso / De corpo e alma despidos
Por teimosia ou loucura
Algemamos a ventura / Do amor em nós reencarnando
Prefiro, como tu vês
Amar-te de quando em vez / Ou talvez de vez em quando
Crítica da razão pura
Nuno Miguel Guedes / José Maria dos Cavalinhos *fado anadia*
Repertório de Ana Moura
Porque quiseste dar nome
Ao gesto que não se diz
Ao jeito de ser feliz
Porque quiseste dar nome?
De que te vale saber / De que é feita uma paixão
As estradas de um coração / De que te vale saber?
Porque quiseste pensar / Aquilo que apenas se sente
O que é alma luz e gente / Porque quiseste pensar?
Diz onde está a razão / Daquilo que não tem juízo
Que junta o choro e o riso / Diz onde está a razão?
Porque quiseste entender / O fogo que fomos nós?
Meu amor, se estamos sós / Foi porque quiseste entender
Repertório de Ana Moura
Porque quiseste dar nome
Ao gesto que não se diz
Ao jeito de ser feliz
Porque quiseste dar nome?
De que te vale saber / De que é feita uma paixão
As estradas de um coração / De que te vale saber?
Porque quiseste pensar / Aquilo que apenas se sente
O que é alma luz e gente / Porque quiseste pensar?
Diz onde está a razão / Daquilo que não tem juízo
Que junta o choro e o riso / Diz onde está a razão?
Porque quiseste entender / O fogo que fomos nós?
Meu amor, se estamos sós / Foi porque quiseste entender
Como uma nuvem no céu
Letra e musica de: Tozé Brito
Repertório de Ana Moura
Dizem as crenças, as leis, as sentenças
Lê-se em anúncios, na palma da mão
Como uma nuvem no céu
O nosso amor não tem solução
Dizem os sábios, os lábios, os olhos
Vem em jornais e revistas que li
Como uma nuvem no céu
O nosso amor já não passa daqui
Mentira, como uma nuvem no céu
Ou como um rio que corre para o mar
Também eu corro para ti
Isso nunca irá mudar
Dizem os livros, os astros, a rádio / Vem nos horóscopos, nos editais
Como uma nuvem no céu / O nosso amor já não dura mais
Dizem as folhas do chá e as notícias / Dizem as fontes bem informadas
Como uma nuvem no céu / O nosso amor tem as horas contadas
Dizem os sonhos, as lendas, a história / Vem num artigo, saiu num decreto
Como uma nuvem no céu / O nosso amor carece de afecto
Dizem os homens, as fadas, os fados / E vem no código da nossa estrada
Como uma nuvem no céu / O nosso amor não vai dar em nada
Repertório de Ana Moura
Dizem as crenças, as leis, as sentenças
Lê-se em anúncios, na palma da mão
Como uma nuvem no céu
O nosso amor não tem solução
Dizem os sábios, os lábios, os olhos
Vem em jornais e revistas que li
Como uma nuvem no céu
O nosso amor já não passa daqui
Mentira, como uma nuvem no céu
Ou como um rio que corre para o mar
Também eu corro para ti
Isso nunca irá mudar
Dizem os livros, os astros, a rádio / Vem nos horóscopos, nos editais
Como uma nuvem no céu / O nosso amor já não dura mais
Dizem as folhas do chá e as notícias / Dizem as fontes bem informadas
Como uma nuvem no céu / O nosso amor tem as horas contadas
Dizem os sonhos, as lendas, a história / Vem num artigo, saiu num decreto
Como uma nuvem no céu / O nosso amor carece de afecto
Dizem os homens, as fadas, os fados / E vem no código da nossa estrada
Como uma nuvem no céu / O nosso amor não vai dar em nada
Caso arrumado
Manuela de Freitas / Pedro Rodrigues
Repertório de Ana Moura
Não te via há quase um mês
Chegaste e mais uma vez
Vinhas bem acompanhado;
Sentaste-te à minha mesa
Como quem tem a certeza
Que somos caso arrumado
Ela não me queria ouvir
Mas tu pediste a sorrir / O nosso fado preferido
Fiz-te a vontade, cantei
E quando à mesa voltei / Ela já tinha saído
Não é a primeira vez
Que começamos a três / Eu vou cantar e depois
O nosso fado que eu canto
É sempre remédio santo / Acabamos só nós dois
Eu sei que tu vais voltar
P’ra de novo eu te livrar / De um caso sem solução
Vou cantar o nosso fado
Fica o teu caso arrumado / O nosso caso é que não
Repertório de Ana Moura
Não te via há quase um mês
Chegaste e mais uma vez
Vinhas bem acompanhado;
Sentaste-te à minha mesa
Como quem tem a certeza
Que somos caso arrumado
Ela não me queria ouvir
Mas tu pediste a sorrir / O nosso fado preferido
Fiz-te a vontade, cantei
E quando à mesa voltei / Ela já tinha saído
Não é a primeira vez
Que começamos a três / Eu vou cantar e depois
O nosso fado que eu canto
É sempre remédio santo / Acabamos só nós dois
Eu sei que tu vais voltar
P’ra de novo eu te livrar / De um caso sem solução
Vou cantar o nosso fado
Fica o teu caso arrumado / O nosso caso é que não
Águas passadas
Jorge Fernando / José Mário Branco
Repertório de Ana Moura
Sei que os dias hão-de dar-me a paz que eu quero
Sei que as horas hão-de ser menos pesadas
E que as noites em secreto desespero
Hão-de ser recordações, águas passadas
Sei que tudo tem um fim, e o fim de tudo
É o tudo que me resta por viver
E o teu olhar inquieto, onde me iludo
É o desvio da minh’alma a se perder
Sei que sempre que te sei em outros braços
Há um punhal a atravessar todo o meu ser
Os meus olhos a alongarem-se num traço
São o espelho da minh’alma a não querer ver
Sei no entanto, que há uma luz no horizonte
Que antevejo, entre lágrimas resignadas
Que esta história, seja a história onde se conte
O que um dia em mim serão águas passadas
Repertório de Ana Moura
Sei que os dias hão-de dar-me a paz que eu quero
Sei que as horas hão-de ser menos pesadas
E que as noites em secreto desespero
Hão-de ser recordações, águas passadas
Sei que tudo tem um fim, e o fim de tudo
É o tudo que me resta por viver
E o teu olhar inquieto, onde me iludo
É o desvio da minh’alma a se perder
Sei que sempre que te sei em outros braços
Há um punhal a atravessar todo o meu ser
Os meus olhos a alongarem-se num traço
São o espelho da minh’alma a não querer ver
Sei no entanto, que há uma luz no horizonte
Que antevejo, entre lágrimas resignadas
Que esta história, seja a história onde se conte
O que um dia em mim serão águas passadas
A penumbra
Letra e musica de: Jorge Fernando
Repertório de Ana Moura
Uma noite em claro estou, eu não sei rezar
Pensamento inútil vou tentar-me anular
Fiquei triste, triste sou, eu não sei rezar
Vem que a alma se afunda
Nesta imensa penumbra
Que a noite me está morrendo
Que a noite me está morrendo
Minha noite um brilho tem, um sinal plebeu
Não tenho malícia mãe, o descuido é teu
O amor não se nega nem a quem nega o seu
Uma noite em claro estou a saber de mim
À flor da minh’alma sou princípio do fim
Quem me prendeu, quem me amou
Não cuidou de mim
Repertório de Ana Moura
Uma noite em claro estou, eu não sei rezar
Pensamento inútil vou tentar-me anular
Fiquei triste, triste sou, eu não sei rezar
Vem que a alma se afunda
Nesta imensa penumbra
Que a noite me está morrendo
Que a noite me está morrendo
Minha noite um brilho tem, um sinal plebeu
Não tenho malícia mãe, o descuido é teu
O amor não se nega nem a quem nega o seu
Uma noite em claro estou a saber de mim
À flor da minh’alma sou princípio do fim
Quem me prendeu, quem me amou
Não cuidou de mim
Meus lindos olhos
Letra e musica de Mafalda Arnauth
Repertório de Mafalda Arnauth
Meus lindos olhos, qual pequeno Deus
Pois são divinos, de tão belos os teus
Quem tos pintou, com tal condão
Jamais neles sonhou criar tanta imensidão
De oiro celeste
Filhos de uma chama agreste
Astros que alto o céu revestem
E onde a tua história é escrita
Meus lindos olhos, de lua cheia
Um esquecido do outro, a brilhar p’ra rua inteira
Quem não conhece teu triste fado
Não desvenda em teu riso um chorar tão magoado
Perdões pedidos
Num murmúrio desolado
Quando o réu morava ao lado
Mais cruel não pode ser
Este fado que aqui canto inspirou-se só em ti
Tu que nasces e renasces sempre que algo morre em ti
Quem me dera poder cantar
Horas, dias, tão sem fim
Quando pedes só p’ra mim
Por favor, só mais um fado
Repertório de Mafalda Arnauth
Meus lindos olhos, qual pequeno Deus
Pois são divinos, de tão belos os teus
Quem tos pintou, com tal condão
Jamais neles sonhou criar tanta imensidão
De oiro celeste
Filhos de uma chama agreste
Astros que alto o céu revestem
E onde a tua história é escrita
Meus lindos olhos, de lua cheia
Um esquecido do outro, a brilhar p’ra rua inteira
Quem não conhece teu triste fado
Não desvenda em teu riso um chorar tão magoado
Perdões pedidos
Num murmúrio desolado
Quando o réu morava ao lado
Mais cruel não pode ser
Este fado que aqui canto inspirou-se só em ti
Tu que nasces e renasces sempre que algo morre em ti
Quem me dera poder cantar
Horas, dias, tão sem fim
Quando pedes só p’ra mim
Por favor, só mais um fado
O Marceneiro
Armando Neves / Alfredo Duarte *fado cuf*
Repertório de Alfredo Marceneiro
Com lídima expressão e voz sentida
Hei-de cumprir no mundo a minha sorte
Alfredo Marceneiro toda a vida
Para cantar o fado até à morte
Orgulho-me de ser em toda a parte
Português e fadista verdadeiro
Eu que me chamo Alfredo, mas Duarte
Sou para toda a gente o Marceneiro
Este apelido em mim, que pouco valho
Da minha honestidade é forte indício
Sou Marceneiro, sim, porque trabalho
Marceneiro no fado e no ofício
Ao fado consagrei a vida inteira
E há muito, por direito de conquista
Sou fadista, mas à minha maneira
À maneira melhor de ser fadista
E se alguém duvidar crave uma espada
Sem dó numa guitarra para crer
A alma da guitarra mutilada
Dentro da minha alma há-de gemer
Repertório de Alfredo Marceneiro
Com lídima expressão e voz sentida
Hei-de cumprir no mundo a minha sorte
Alfredo Marceneiro toda a vida
Para cantar o fado até à morte
Orgulho-me de ser em toda a parte
Português e fadista verdadeiro
Eu que me chamo Alfredo, mas Duarte
Sou para toda a gente o Marceneiro
Este apelido em mim, que pouco valho
Da minha honestidade é forte indício
Sou Marceneiro, sim, porque trabalho
Marceneiro no fado e no ofício
Ao fado consagrei a vida inteira
E há muito, por direito de conquista
Sou fadista, mas à minha maneira
À maneira melhor de ser fadista
E se alguém duvidar crave uma espada
Sem dó numa guitarra para crer
A alma da guitarra mutilada
Dentro da minha alma há-de gemer
Serás sempre Lisboa
Letra e musica de Mafalda Arnauth
Repertório de Mafalda Arnauth
Tens sempre na ponta da língua resposta p’ra tudo com teu ar certeiro
Tens esse grito que ecoa e nunca magoa, porque é verdadeiro
Tens nas varinas a raça e no gingar a pinaça
Pois pode o tempo passar, serás sempre Lisboa
Ai, Lisboa... ai, tão bela
Tens a Graça por janela
De onde vejo o quanto tenho para amar
E vou correndo até ao rio, pelo caminho beijo a Sé
Chego a Alfama em desvario, porque é maior a minha fé
E canto, canto, canto
Ao fado, a Lisboa, à minha vida
Tens esse jeito dos simples que à hora da janta cabe sempre mais um
E abres os braços aos outros dizendo “são loucos” não é favor nenhum
E até das brigas de amor dizes que são o calor
Que te alimenta o sentir, que te faz ser Lisboa
Ai, Lisboa.. ai, tão bela
Tens a Graça por janela
Que aos amantes dá motivo p’ra sonhar
Talvez a marcha já não passe e a boémia está esquecida
E haja mesmo quem arraste esta Lisboa qual vencida
E eu canto, canto, canto
Ao fado, a Lisboa, à minha vida
Repertório de Mafalda Arnauth
Tens sempre na ponta da língua resposta p’ra tudo com teu ar certeiro
Tens esse grito que ecoa e nunca magoa, porque é verdadeiro
Tens nas varinas a raça e no gingar a pinaça
Pois pode o tempo passar, serás sempre Lisboa
Ai, Lisboa... ai, tão bela
Tens a Graça por janela
De onde vejo o quanto tenho para amar
E vou correndo até ao rio, pelo caminho beijo a Sé
Chego a Alfama em desvario, porque é maior a minha fé
E canto, canto, canto
Ao fado, a Lisboa, à minha vida
Tens esse jeito dos simples que à hora da janta cabe sempre mais um
E abres os braços aos outros dizendo “são loucos” não é favor nenhum
E até das brigas de amor dizes que são o calor
Que te alimenta o sentir, que te faz ser Lisboa
Ai, Lisboa.. ai, tão bela
Tens a Graça por janela
Que aos amantes dá motivo p’ra sonhar
Talvez a marcha já não passe e a boémia está esquecida
E haja mesmo quem arraste esta Lisboa qual vencida
E eu canto, canto, canto
Ao fado, a Lisboa, à minha vida
Trindade do nosso fado
Nuno de Aguiar / Popular *fados menor, mouraria e corrido*
Repertório de Nuno de Aguiar
O Fado, canção do povo
Por todo o mundo louvado
Não é velho, nem é novo
O fado, é sempre fado
Vozes de peso e renome / Dizem que o fado menor
Ao contrário do seu nome / É de todos o maior
Também se diz a rigor / A quem canta com mestria
Que o bom apreciador / Não dispensa o Mouraria
Com tristeza ou alegria / Qualquer fadista entendido
Dá também a primazia / Ao velho fado corrido
O corrido, traz beleza / O Mouraria, o encanto
O menor, também se reza / P’ra aliviar nosso pranto
Mais populares, entretanto / Qual dos três mais consagrado
Pai, Filho, Espírito Santo / Trindade do nosso fado
Repertório de Nuno de Aguiar
O Fado, canção do povo
Por todo o mundo louvado
Não é velho, nem é novo
O fado, é sempre fado
Vozes de peso e renome / Dizem que o fado menor
Ao contrário do seu nome / É de todos o maior
Também se diz a rigor / A quem canta com mestria
Que o bom apreciador / Não dispensa o Mouraria
Com tristeza ou alegria / Qualquer fadista entendido
Dá também a primazia / Ao velho fado corrido
O corrido, traz beleza / O Mouraria, o encanto
O menor, também se reza / P’ra aliviar nosso pranto
Mais populares, entretanto / Qual dos três mais consagrado
Pai, Filho, Espírito Santo / Trindade do nosso fado
O bêbado pintor
Linhares barbosa / Alfredo Duarte *fado laranjeira*
Repertório de Alfredo Marceneiro
Encostado sem brio ao balcão da taberna
De nauseabunda cor e tábua carcomida
O bêbado pintor a lápis desenhou
O retrato fiel duma mulher perdida
Impudica mulher, perante o vil bulício
De copos tilintando e de boçais gracejos
Agarrou-se ao rapaz e cobrindo-o de beijos
Perguntou-lhe a sorrir, qual era o seu oficio;
Ele a cambalear, fazendo um sacrifício
Lhe diz a profissão em que se iniciou
E ela escutando tal, pedindo alcançou
Que então lhe desenhasse o rosto provocante
E num sujo papel, as feições da bacante
O bêbado pintor a lápis desenhou
Retocou o perfil e por baixo escreveu
Numa legível letra o seu modesto nome
Que um ébrio esfarrapado, e o rosto cheio de fome
Com voz rascante e rouca à desgraçada leu
Esta, louca de dor para o jovem correu
Beijando-lhe muito o rosto, e abraço-o de seguida
Era a mãe do pintor, e a turba comovida
Pasma ante aquele quadro, original, estranho;
Enquanto o pobre artista amarfanha o desenho
O retrato fiel duma mulher perdida
Repertório de Alfredo Marceneiro
Encostado sem brio ao balcão da taberna
De nauseabunda cor e tábua carcomida
O bêbado pintor a lápis desenhou
O retrato fiel duma mulher perdida
Impudica mulher, perante o vil bulício
De copos tilintando e de boçais gracejos
Agarrou-se ao rapaz e cobrindo-o de beijos
Perguntou-lhe a sorrir, qual era o seu oficio;
Ele a cambalear, fazendo um sacrifício
Lhe diz a profissão em que se iniciou
E ela escutando tal, pedindo alcançou
Que então lhe desenhasse o rosto provocante
E num sujo papel, as feições da bacante
O bêbado pintor a lápis desenhou
Retocou o perfil e por baixo escreveu
Numa legível letra o seu modesto nome
Que um ébrio esfarrapado, e o rosto cheio de fome
Com voz rascante e rouca à desgraçada leu
Esta, louca de dor para o jovem correu
Beijando-lhe muito o rosto, e abraço-o de seguida
Era a mãe do pintor, e a turba comovida
Pasma ante aquele quadro, original, estranho;
Enquanto o pobre artista amarfanha o desenho
O retrato fiel duma mulher perdida
Quando se gosta de alguém
Amália Rodrigues / Carlos Gonçalves
Repertório de Amália
Quando se gosta de alguém
Sente-se dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo o que é que se sente
Quando se gosta de alguém / É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem / Perdidos de amor andamos
Quando se gosta de alguém / Anda assim como ando eu
Que não ando nada bem / Com este mal que me deu
Quando se gosta de alguém / É como estar-se doente
Quanto mais amor se tem / Pior a gente se sente
Quando se gosta de alguém / Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem / É desgosto que dá gosto
Repertório de Amália
Quando se gosta de alguém
Sente-se dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo o que é que se sente
Quando se gosta de alguém / É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem / Perdidos de amor andamos
Quando se gosta de alguém / Anda assim como ando eu
Que não ando nada bem / Com este mal que me deu
Quando se gosta de alguém / É como estar-se doente
Quanto mais amor se tem / Pior a gente se sente
Quando se gosta de alguém / Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem / É desgosto que dá gosto
Arma certeira
Carlos Conde / Frederico de Brito *fado britinho*
Repertório de Nuno de Aguiar
Tenho p’ra me defender
Uma arma bem singela
Mas de um enorme valor;
Pois venha lá quem vier
Quando manejo com ela
Fico sempre vencedor
Venço a má língua, a arrogância
A calúnia mais brutal / Os fins da mais torpe acção
Até venço a relutância
Daqueles que dizem mal / E no fim, pedem perdão
Nada temo nesta vida
Nem as almas malfazejas / Nem os ditos lés a lés
Tudo levo de vencida
Até as próprias invejas / Caem de rojo, a meus pés
Nada pois me causa medo
Nem o ódio dos irados / Aumenta as minhas fadigas
Esmago o devasso enredo
Dos concluios fomentados / Ante as mais baixas intrigas
Arma de golpes certeiros
Perante o reles motejo / De quem ri do indefeso
Vence exércitos inteiros
Essa arma que eu manejo / E que se chama desprezo
Repertório de Nuno de Aguiar
Tenho p’ra me defender
Uma arma bem singela
Mas de um enorme valor;
Pois venha lá quem vier
Quando manejo com ela
Fico sempre vencedor
Venço a má língua, a arrogância
A calúnia mais brutal / Os fins da mais torpe acção
Até venço a relutância
Daqueles que dizem mal / E no fim, pedem perdão
Nada temo nesta vida
Nem as almas malfazejas / Nem os ditos lés a lés
Tudo levo de vencida
Até as próprias invejas / Caem de rojo, a meus pés
Nada pois me causa medo
Nem o ódio dos irados / Aumenta as minhas fadigas
Esmago o devasso enredo
Dos concluios fomentados / Ante as mais baixas intrigas
Arma de golpes certeiros
Perante o reles motejo / De quem ri do indefeso
Vence exércitos inteiros
Essa arma que eu manejo / E que se chama desprezo
Quase imortal
Letra e musica de Mafalda Arnauth
Repertório de Mafalda Arnauth
Quis soltar o grito que me queima
O lamento que em mim teima
Em não ficar calado
Quis soltar a mágoa, a ansiedade
Dos dias da verdade
Tão diferentes do passado
E agora que soltei o meu grito
Não menos triste me sinto
Que o cantar não leva a dor
Pois o meu canto não muda o destino
De viver em desatino
Eu, a vida e este amor
Quis viver, um amor quase imortal
Que não me levasse a mal
Ter tamanho o coração
Fui amada na ilusão de quem não era
Talvez porque tanto dera
Sem saber que era em vão
E o meu pecado é ainda acreditar
Ser possível querer e amar
Dando ouvidos à razão
Se o amor é louco como dizem por aí
Eu que a mim sempre menti
Vou escutar o coração
Repertório de Mafalda Arnauth
Quis soltar o grito que me queima
O lamento que em mim teima
Em não ficar calado
Quis soltar a mágoa, a ansiedade
Dos dias da verdade
Tão diferentes do passado
E agora que soltei o meu grito
Não menos triste me sinto
Que o cantar não leva a dor
Pois o meu canto não muda o destino
De viver em desatino
Eu, a vida e este amor
Quis viver, um amor quase imortal
Que não me levasse a mal
Ter tamanho o coração
Fui amada na ilusão de quem não era
Talvez porque tanto dera
Sem saber que era em vão
E o meu pecado é ainda acreditar
Ser possível querer e amar
Dando ouvidos à razão
Se o amor é louco como dizem por aí
Eu que a mim sempre menti
Vou escutar o coração
Fado das juras
Pedro Bandeira / Alfredo Medes *fado fininho*
Repertório de Esmeralda Amuedo
Juro que nunca mais falo contigo
Juro que nunca mais te torno a olhar
E juro que serei, p'ra teu castigo
Remorso que te há-de acompanhar
Julgas que eu talvez por ti chorei
Ou saudades de amor, por ti senti
Pois eu juro que sempre te odiei
E que nem afeição senti por ti
Eu juro que hei-de rir só de pensar
Que um dia te jurei eterno amor
E juro nunca mais tornar a amar
E juro viver sempre alheia à dor
Juro que não irei no teu encalço
Juro não perdoar as tuas queixas
E juro que te estou a jurar falso
E que morro de amor, se tu me deixas
Repertório de Esmeralda Amuedo
Juro que nunca mais falo contigo
Juro que nunca mais te torno a olhar
E juro que serei, p'ra teu castigo
Remorso que te há-de acompanhar
Julgas que eu talvez por ti chorei
Ou saudades de amor, por ti senti
Pois eu juro que sempre te odiei
E que nem afeição senti por ti
Eu juro que hei-de rir só de pensar
Que um dia te jurei eterno amor
E juro nunca mais tornar a amar
E juro viver sempre alheia à dor
Juro que não irei no teu encalço
Juro não perdoar as tuas queixas
E juro que te estou a jurar falso
E que morro de amor, se tu me deixas
Zé grande
Carlos Conde / Raul Pereira *fado zé grande*
Repertório de Raúl Pereira
O Zé grande, um cocheiro de rotina
Muito embora vergado pela idade
Falou-me, agora mesmo, ali à esquina
Da Travessa do Poço da Cidade
Fiz praça, no Rossio, na Horta Seca
E andei, noites inteiras, com rambóias
Corri os arrabaldes, Seca e Meca
Com a melhores parelhas e tipóias
Levei muitos brasões fora de portas
Fadistas à abertura do bom vinho
Cantoras do S. Carlos, para as hortas
E coristas, p’ras ceias do Charquinho
Conduzi o Ginguinha e o Janota
Ao Zé da Basalisa, muita vez
Levei damas da alta, à Porcalhota
E ciganas, à Feira das Mercês
Depois de rebuscar algum dinheiro
Resolveu afogar uma saudade
E pediu três do lote ao carvoeiro
Da Travessa do Poço da Cidade
Repertório de Raúl Pereira
O Zé grande, um cocheiro de rotina
Muito embora vergado pela idade
Falou-me, agora mesmo, ali à esquina
Da Travessa do Poço da Cidade
Fiz praça, no Rossio, na Horta Seca
E andei, noites inteiras, com rambóias
Corri os arrabaldes, Seca e Meca
Com a melhores parelhas e tipóias
Levei muitos brasões fora de portas
Fadistas à abertura do bom vinho
Cantoras do S. Carlos, para as hortas
E coristas, p’ras ceias do Charquinho
Conduzi o Ginguinha e o Janota
Ao Zé da Basalisa, muita vez
Levei damas da alta, à Porcalhota
E ciganas, à Feira das Mercês
Depois de rebuscar algum dinheiro
Resolveu afogar uma saudade
E pediu três do lote ao carvoeiro
Da Travessa do Poço da Cidade
Velho marujo
Pedro Homem de Melo / Manuel Lima Brumond
Repertório de Teresa Tarouca
Velho, um marujo sonha... onde ele fôr
Hão-se arrastar-se as cordas da viola
Outrora jovem, mendigava amor
E sendo pobre, recusava esmola
A quem de noite lhe pedisse lume
Com um sorriso ingénuo, respondia
E logo a rua má tinha perfume
E em todos os relógios era dia
Hoje vagueia no jardim deserto
Sómente as ondas vêm bater no cais
E a sua enxerga sórdida, já perto
Revela manchas que não saem mais
Nenhuma estrela rasga a escuridão
Nenhuma prece oculta nos inspira
Nem mesmo a glória de esconder em vão
Seus olhos, côr de pérola e safira
Repertório de Teresa Tarouca
Velho, um marujo sonha... onde ele fôr
Hão-se arrastar-se as cordas da viola
Outrora jovem, mendigava amor
E sendo pobre, recusava esmola
A quem de noite lhe pedisse lume
Com um sorriso ingénuo, respondia
E logo a rua má tinha perfume
E em todos os relógios era dia
Hoje vagueia no jardim deserto
Sómente as ondas vêm bater no cais
E a sua enxerga sórdida, já perto
Revela manchas que não saem mais
Nenhuma estrela rasga a escuridão
Nenhuma prece oculta nos inspira
Nem mesmo a glória de esconder em vão
Seus olhos, côr de pérola e safira
Os ranchos iam passando
Pedro Homem de Melo / Manuel Lima Brumond
Repertório de Teresa Tarouca
Os ranchos iam passando
Mata escura de Cabanas
Sob as naves da verdura
Tudo eram formas humanas
Cenário... tudo cenário / Ramos de sombra e silêncio;
Cenário... tudo cenário / Cenário que tudo ilude
Beleza que era beleza / Só porque era juventude
Onde tens as tuas filhas? / Casei-as... estão casadas!
E a que foi para a cidade? / E a que anda pelas estradas?
A mãe, se souber, que o diga / Que os filhos não sabem nada!
Diz-me o nome do teu pai! / Porque tens cara lavrada?
Que é da Custódia da Fonte? / Que é da Ofélia de Caxenas?
A mãe, se souber, que o diga / Que os filhos não sabem nada!
Os ranchos iam passando! / Elas de roupa vermelha
Os ranchos iam passando! / Eles de faixa entrançada!
E assim foi até ao dia / Cada qual vivendo a vida
Sem saber porque a vivia!
Repertório de Teresa Tarouca
Os ranchos iam passando
Mata escura de Cabanas
Sob as naves da verdura
Tudo eram formas humanas
Cenário... tudo cenário / Ramos de sombra e silêncio;
Cenário... tudo cenário / Cenário que tudo ilude
Beleza que era beleza / Só porque era juventude
Onde tens as tuas filhas? / Casei-as... estão casadas!
E a que foi para a cidade? / E a que anda pelas estradas?
A mãe, se souber, que o diga / Que os filhos não sabem nada!
Diz-me o nome do teu pai! / Porque tens cara lavrada?
Que é da Custódia da Fonte? / Que é da Ofélia de Caxenas?
A mãe, se souber, que o diga / Que os filhos não sabem nada!
Os ranchos iam passando! / Elas de roupa vermelha
Os ranchos iam passando! / Eles de faixa entrançada!
E assim foi até ao dia / Cada qual vivendo a vida
Sem saber porque a vivia!
Fado nosso - Tributos
Homenagem aos vultos do nosso fado
António Torre da Guia
Mestre Alfredo era a cantar / A matriz da oração
Que à alma ia buscar / P'ró corpo, consolação
Na zonza telefonia / Minha avó e a vizinha
Choravam de nostalgia / Quando ouviam o Farinha
Dava, Fernanda Maria / Ao Pintadinho tal jeito
Que a rima até parecia / Um rouxinol perfeito
Toni de Matos, total / P'rós amantes sem esperança
Foi a voz de um vendaval / A transformar-se em bonança
Maurício, à dor do verso / Como o sol que se levanta
Abria-lhe o universo / Ao soltá-la da garganta
Amália, em todos nós / Fazia a alma acender
Com a saudade na voz / A queimar-nos de prazer
Carlos do Carmo, marfim / Do velho anuncia ao povo
Que o fado chegando ao fim / Começa sempre de novo
Argentina, prata pura / Santos, altar que se abre
Sobe o fado a grande altura / Até parece milagre
Quem o ouvisse cantar / O Bailinho da Madeira
Não podia imaginar / O Max sem brincadeira
Qual marialva outrora / Pelo "Fado Português"
O Nuno parece agora / O Vimioso outra vez
Lucília, brisa suave / Do castiço genuíno
Que embalava a saudade / Com o Carmo do destino
Beatriz da Conceição / Fado a fado se ilumina
E ouvi-la ao vivo, então / A emoção é divina
Dulce Pontes, alvorada / Da lusitana paixão
Cada vez mais semeada / Nas searas da ilusão
De menino na levada / Camané, fado de mais
Entre os amigos sem fada / Que ao vento cantam seus ais
Do Nuno, que hei-de dizer / Grato pelo que lhe devo?
Da meada em fado-ser / Foi a ponta do que escrevo
Esta Maria tripeira / Tinha tanta, tanta Fé
Que ao Tejo logrou maré / P'ró rabelo da Ribeira
Rodrigo da voz do mar / Trouxe o benquisto lamento
Para em fado consolar / As fainas do sentimento
António Torre da Guia
Mestre Alfredo era a cantar / A matriz da oração
Que à alma ia buscar / P'ró corpo, consolação
Na zonza telefonia / Minha avó e a vizinha
Choravam de nostalgia / Quando ouviam o Farinha
Dava, Fernanda Maria / Ao Pintadinho tal jeito
Que a rima até parecia / Um rouxinol perfeito
Toni de Matos, total / P'rós amantes sem esperança
Foi a voz de um vendaval / A transformar-se em bonança
Maurício, à dor do verso / Como o sol que se levanta
Abria-lhe o universo / Ao soltá-la da garganta
Amália, em todos nós / Fazia a alma acender
Com a saudade na voz / A queimar-nos de prazer
Carlos do Carmo, marfim / Do velho anuncia ao povo
Que o fado chegando ao fim / Começa sempre de novo
Argentina, prata pura / Santos, altar que se abre
Sobe o fado a grande altura / Até parece milagre
Quem o ouvisse cantar / O Bailinho da Madeira
Não podia imaginar / O Max sem brincadeira
Qual marialva outrora / Pelo "Fado Português"
O Nuno parece agora / O Vimioso outra vez
Lucília, brisa suave / Do castiço genuíno
Que embalava a saudade / Com o Carmo do destino
Beatriz da Conceição / Fado a fado se ilumina
E ouvi-la ao vivo, então / A emoção é divina
Dulce Pontes, alvorada / Da lusitana paixão
Cada vez mais semeada / Nas searas da ilusão
De menino na levada / Camané, fado de mais
Entre os amigos sem fada / Que ao vento cantam seus ais
Do Nuno, que hei-de dizer / Grato pelo que lhe devo?
Da meada em fado-ser / Foi a ponta do que escrevo
Esta Maria tripeira / Tinha tanta, tanta Fé
Que ao Tejo logrou maré / P'ró rabelo da Ribeira
Rodrigo da voz do mar / Trouxe o benquisto lamento
Para em fado consolar / As fainas do sentimento
A vida que eu sofro em ti
Vasco de Lima Couto / Alfredo Duarte *fado mocita dos caracóis*
Repertório de Beatriz da Conceição
Trago minha voz cansada
Cansada de solidão;
Por cantar este meu fado
Que é teu corpo decepado
Dentro do meu coração
Peço ao vento essa coragem / Que anda na tua memória
Sou maré alta no olhar
Porque é nos longes do mar / Que roubam a nossa história
Na angústia do nosso quarto / Cheio de sombras aflitas
Vivo as palavras paradas
As saudades esmagadas / Que tu nas cartas me gritas
Anda o tempo devagar / Parece que se esqueceu
Ó meu amor, nesta espera
Como eu sofro a primavera / Que a tua vida me deu
Repertório de Beatriz da Conceição
Trago minha voz cansada
Cansada de solidão;
Por cantar este meu fado
Que é teu corpo decepado
Dentro do meu coração
Peço ao vento essa coragem / Que anda na tua memória
Sou maré alta no olhar
Porque é nos longes do mar / Que roubam a nossa história
Na angústia do nosso quarto / Cheio de sombras aflitas
Vivo as palavras paradas
As saudades esmagadas / Que tu nas cartas me gritas
Anda o tempo devagar / Parece que se esqueceu
Ó meu amor, nesta espera
Como eu sofro a primavera / Que a tua vida me deu
Estranha contradição
Maria Manuela de Freitas / Pedro Rodrigues
Repertório de António Mourão
Andei a dizer, andei
Que não queria ver-te mais
Que não queria te falar
Calcula que até jurei
Não ir aonde tu vais
P’ra nunca mais te encontrar
Pobre de mim, a razão
Que se perde na tortura / De não querer o que eu desejo
E em estranha contradição
Eu ando á tua procura / E ando a ver se te não vejo
Falo-te e não te conheço
Olho sem te encontrar / Tu sabes que não mudarei
Duma coisa me convenço
Sempre te hei-de procurar / Nunca mais te encontrarei
Repertório de António Mourão
Andei a dizer, andei
Que não queria ver-te mais
Que não queria te falar
Calcula que até jurei
Não ir aonde tu vais
P’ra nunca mais te encontrar
Pobre de mim, a razão
Que se perde na tortura / De não querer o que eu desejo
E em estranha contradição
Eu ando á tua procura / E ando a ver se te não vejo
Falo-te e não te conheço
Olho sem te encontrar / Tu sabes que não mudarei
Duma coisa me convenço
Sempre te hei-de procurar / Nunca mais te encontrarei
Acordem as guitarras
Letra e musica de Frederico de Brito
Repertório de Lucília do Carmo
Acordem os fadistas / Que eu quero ouvir o fado
P’las sombras da moirama / P’las brumas dessa Alfama
P’lo Bairro Alto amado
Acordem as guitarras / Até que mãos amigas
Com a graça que nos preza / Desfiem numa reza
Rosários de cantigas
Cantigas do fado, retalhos de vida
Umbrais dum passado de porta corrida
São ais inocentes que embargam a voz
Das almas dos crentes que rezam por nós
Acordem as vielas / Aonde o fado mora
E há um cantar de beijos / Em marchas de desejos
Que vão pela vida fora
Acordem as tabernas / Até que o fado canta
Em doce nostalgia / Aquela melodia
Que tanto nos encanta
Repertório de Lucília do Carmo
Acordem os fadistas / Que eu quero ouvir o fado
P’las sombras da moirama / P’las brumas dessa Alfama
P’lo Bairro Alto amado
Acordem as guitarras / Até que mãos amigas
Com a graça que nos preza / Desfiem numa reza
Rosários de cantigas
Cantigas do fado, retalhos de vida
Umbrais dum passado de porta corrida
São ais inocentes que embargam a voz
Das almas dos crentes que rezam por nós
Acordem as vielas / Aonde o fado mora
E há um cantar de beijos / Em marchas de desejos
Que vão pela vida fora
Acordem as tabernas / Até que o fado canta
Em doce nostalgia / Aquela melodia
Que tanto nos encanta
Esta contínua saudade
Vasco de Lima Couto / Joaquim Campos *fado vitória*
Repertório de Camané
Esta contínua saudade
Que me afasta do que digo
E me deserta do amor
Tem uma voz e uma idade
Contra as quais eu não consigo
Mais força que a minha dor
Esta contínua e perigosa
Saudade que prende a mágoa / E enfraquece o entendimento
É uma fonte rigorosa
Onde eu bebo a angústia d’água / Que me assombra o pensamento
Mas para um tempo tão puro
Como é o de esperar / O sonho no olhar que trazes
É que eu no vento procuro
Todo o bem que posso dar / Em todo o mal que me fazes
Repertório de Camané
Esta contínua saudade
Que me afasta do que digo
E me deserta do amor
Tem uma voz e uma idade
Contra as quais eu não consigo
Mais força que a minha dor
Esta contínua e perigosa
Saudade que prende a mágoa / E enfraquece o entendimento
É uma fonte rigorosa
Onde eu bebo a angústia d’água / Que me assombra o pensamento
Mas para um tempo tão puro
Como é o de esperar / O sonho no olhar que trazes
É que eu no vento procuro
Todo o bem que posso dar / Em todo o mal que me fazes
Mote
Fernando Pessoa / Fontes Rocha *fado isabel*
Repertório de Camané
Quando a dor me amargurar
Quando sentir penas duras
Só me podem consolar
Teus olhos, contas escuras
D’eles só brotam amores / Não há sombra d’ironias
Teus olhos sedutores / São duas avé-marias
Quando a vida os vem turvar / Fazem-me sofrer torturas
E as contas todas rezar / Do rosário d’amarguras
Ou se os alaga a aflição / Peço para ti alegrias
Numa fervente oração / Que rezo todos os dias
Teus olhos, contas escuras / São duas avé-marias
No rosário d’amarguras / Que rezo todos os dias
Repertório de Camané
Quando a dor me amargurar
Quando sentir penas duras
Só me podem consolar
Teus olhos, contas escuras
D’eles só brotam amores / Não há sombra d’ironias
Teus olhos sedutores / São duas avé-marias
Quando a vida os vem turvar / Fazem-me sofrer torturas
E as contas todas rezar / Do rosário d’amarguras
Ou se os alaga a aflição / Peço para ti alegrias
Numa fervente oração / Que rezo todos os dias
Teus olhos, contas escuras / São duas avé-marias
No rosário d’amarguras / Que rezo todos os dias
Disse-te adeus
Manuela de Freitas / Frederico de Brito *fado dos sonhos*
Repertório de Camané
Disse-te adeus não me lembro E
m que dia de Setembro
Só sei que era madrugada;
A rua estava deserta
E até a lua discreta
Fingiu que não deu por nada
Sorrimos à despedida
Como quem sabe que a vida / É nome que a morte tem
Nunca mais nos encontrámos
E nunca mais perguntámos / Um p’lo outro a ninguém
Que memória ou que saudade
Contará toda a verdade / Do que não fomos capazes
Por saudade ou por memória
Eu só sei contar a história / Da falta que tu me fazes
Repertório de Camané
Disse-te adeus não me lembro E
m que dia de Setembro
Só sei que era madrugada;
A rua estava deserta
E até a lua discreta
Fingiu que não deu por nada
Sorrimos à despedida
Como quem sabe que a vida / É nome que a morte tem
Nunca mais nos encontrámos
E nunca mais perguntámos / Um p’lo outro a ninguém
Que memória ou que saudade
Contará toda a verdade / Do que não fomos capazes
Por saudade ou por memória
Eu só sei contar a história / Da falta que tu me fazes
Saudades trago comigo
António Calém / Popular *fado das horas*
Gravação de Camané
Repertório de João Braga
Saudades trago comigo
Do teu corpo e nada mais
Pois a lei por que me sigo
Não tem pecados mortais
Talvez tu queiras saber / Porque em vida já estou morto
São apenas, podes crer / As saudades do teu corpo
E tu que sentes por mim / Desde essa noite perdida
Sentes esse frio em ti / Que eu sinto na minha vida
Eu sei que o teu corpo há-de / Sentir a falta do meu
Por isso eu tenho a saudade / Que o meu corpo tem do teu
Gravação de Camané
Repertório de João Braga
Saudades trago comigo
Do teu corpo e nada mais
Pois a lei por que me sigo
Não tem pecados mortais
Talvez tu queiras saber / Porque em vida já estou morto
São apenas, podes crer / As saudades do teu corpo
E tu que sentes por mim / Desde essa noite perdida
Sentes esse frio em ti / Que eu sinto na minha vida
Eu sei que o teu corpo há-de / Sentir a falta do meu
Por isso eu tenho a saudade / Que o meu corpo tem do teu
Menino triste
Pedro Homem de Melo / Manuel Lima Brumond
Repertório de Teresa Tarouca
Menino, menino triste
Quem te odiar que te minta!
Acaso nunca sentiste
Que deixavas de ser triste
Em quebrando pela cinta?
Como contar-te segredos? / Quando saberás quem és?
Menino dos lábios quedos
Com pedras em vez de dedos / E algemas em vez de pés!
Tolhe-te o medo talvez... / Envenena-te a incerteza?
Não ouves? não ris? não vês?
Chama que o vento desfez! / Porque não torná-la acesa?
Dá um passo, um passo breve / E tudo poderás ser
Rosa ou peixe, fogo ou neve
Quem canta paga a quem deve / E nunca chega a morrer!
Repertório de Teresa Tarouca
Menino, menino triste
Quem te odiar que te minta!
Acaso nunca sentiste
Que deixavas de ser triste
Em quebrando pela cinta?
Como contar-te segredos? / Quando saberás quem és?
Menino dos lábios quedos
Com pedras em vez de dedos / E algemas em vez de pés!
Tolhe-te o medo talvez... / Envenena-te a incerteza?
Não ouves? não ris? não vês?
Chama que o vento desfez! / Porque não torná-la acesa?
Dá um passo, um passo breve / E tudo poderás ser
Rosa ou peixe, fogo ou neve
Quem canta paga a quem deve / E nunca chega a morrer!
Tempo é fome
José Luís Gordo / José António Sabrosa *fado velho*
Repertório de Ricardo Ribeiro
Meu amor, a Primavera
Acabou, já não há verde
Meu amor, na longa espera
Morre o meu corpo de sede
Meu amor, que é das raízes / Que sustinham nossas vidas
Meu amor, nada me dizes / Passam as horas esquecidas
Vem de longe esta saudade / Que me faz andar tão perto
Meu amor, tudo é verdade / Quando p‘ra vida desperto
Trago os meu lábios gretados / De chamarem o teu nome
Canto-te em todos os fados / Meu amor, o tempo é fome
Repertório de Ricardo Ribeiro
Meu amor, a Primavera
Acabou, já não há verde
Meu amor, na longa espera
Morre o meu corpo de sede
Meu amor, que é das raízes / Que sustinham nossas vidas
Meu amor, nada me dizes / Passam as horas esquecidas
Vem de longe esta saudade / Que me faz andar tão perto
Meu amor, tudo é verdade / Quando p‘ra vida desperto
Trago os meu lábios gretados / De chamarem o teu nome
Canto-te em todos os fados / Meu amor, o tempo é fome
Ser fadista - Vieitas
Júlio Vieitas / Armando Augusto Freire *fado alexandrino antigo*
Repertório de Júlio Vieitas
Eu zanguei-me com ela, e após ter-me exaltado
Desci do Bairro Alto, à baixa da cidade
P’ra esquecer essa noite, inspirei-me no fado
E triste percorri, as bairros da saudade
Passei à Mouraria e ouvi grande algazarra
Dum conjunto boémio, ali ao Bem Formoso
Mas, um que eu conheci, trinava uma guitarra
E pediu que eu cantasse um fado rigoroso
Cantei com devoção, eu tinha a alma em chama
Onde a voz da razão, às vezes se desgarra
Subimos ao Castelo, e subimos a Alfama
Onde o Fado é Rei, e a Rainha, a guitarra
Numa velha taberna, à Rua da Regueira
Cantou-se o Mouraria em franca desgarrada
E nesta vibração, passou-se a noite inteira
Quando de lá saí, era já madrugada
Subi o Bairro Alto e ela, com ar trocista
Ainda esperava por mim de quarto iluminado
Então compreendi que para ser fadista
É preciso sofrer, amar e ser amado
Repertório de Júlio Vieitas
Eu zanguei-me com ela, e após ter-me exaltado
Desci do Bairro Alto, à baixa da cidade
P’ra esquecer essa noite, inspirei-me no fado
E triste percorri, as bairros da saudade
Passei à Mouraria e ouvi grande algazarra
Dum conjunto boémio, ali ao Bem Formoso
Mas, um que eu conheci, trinava uma guitarra
E pediu que eu cantasse um fado rigoroso
Cantei com devoção, eu tinha a alma em chama
Onde a voz da razão, às vezes se desgarra
Subimos ao Castelo, e subimos a Alfama
Onde o Fado é Rei, e a Rainha, a guitarra
Numa velha taberna, à Rua da Regueira
Cantou-se o Mouraria em franca desgarrada
E nesta vibração, passou-se a noite inteira
Quando de lá saí, era já madrugada
Subi o Bairro Alto e ela, com ar trocista
Ainda esperava por mim de quarto iluminado
Então compreendi que para ser fadista
É preciso sofrer, amar e ser amado
Gosto de tudo o que é teu
Maria José Runa / Carlos da Maia *fado carlos da maia*
Repertório de Ada de Castro
Eu gosto do teu andar
Desse jeito que é tão teu
Eu gosto do teu olhar
Olhar que a ti me prendeu
Eu gosto do teu cabelo / Do dourado do teu rosto
E da tua linda boca / Nem calculas como eu gosto
Eu gosto das tuas mãos / Que tão bem acariciam
Do teu corpo, dos teus modos / Que os meus olhos extasiam
Eu gosto do teu sorriso / Sorriso franco e leal
Até das tuas maldades / Eu não desgosto, afinal
Eu gosto da tua voz / A voz mais linda que ouvi
Gosto de tudo do que é teu / Só porque gosto de ti
Repertório de Ada de Castro
Eu gosto do teu andar
Desse jeito que é tão teu
Eu gosto do teu olhar
Olhar que a ti me prendeu
Eu gosto do teu cabelo / Do dourado do teu rosto
E da tua linda boca / Nem calculas como eu gosto
Eu gosto das tuas mãos / Que tão bem acariciam
Do teu corpo, dos teus modos / Que os meus olhos extasiam
Eu gosto do teu sorriso / Sorriso franco e leal
Até das tuas maldades / Eu não desgosto, afinal
Eu gosto da tua voz / A voz mais linda que ouvi
Gosto de tudo do que é teu / Só porque gosto de ti
Lenda
Aires dos Santos Agnelo / José Fontes Rocha *fado Alexandrino das patameiras*
Repertório de Nuno de Aguiar
Numa rua de Alfama existe um chafariz
Testemunho fiel de lendas muito antigas
O chafariz d´el-Rei, segundo o povo diz
Foi palco dos amores de lindas raparigas
Certa donzela, um dia, sentia o desconsolo
Por ter partido a bilha que com ela levava
Mas alguém que passava com um menino ao colo
Pegou na cantarinha, a ver se a consertava
Foi milagre de Deus, ou artes do demónio
Pensou a linda moça, ao ver tal maravilha
Então, reconheceu que fora Santo António
Que cheio de esplendor, lhe consertara a bilha
Esta lenda faz parte das lendas seculares
Recontadas p’lo povo, preito tradicional
Pois, quando se festejam os santos populares
São tradições bairristas do nosso Portugal
Repertório de Nuno de Aguiar
Numa rua de Alfama existe um chafariz
Testemunho fiel de lendas muito antigas
O chafariz d´el-Rei, segundo o povo diz
Foi palco dos amores de lindas raparigas
Certa donzela, um dia, sentia o desconsolo
Por ter partido a bilha que com ela levava
Mas alguém que passava com um menino ao colo
Pegou na cantarinha, a ver se a consertava
Foi milagre de Deus, ou artes do demónio
Pensou a linda moça, ao ver tal maravilha
Então, reconheceu que fora Santo António
Que cheio de esplendor, lhe consertara a bilha
Esta lenda faz parte das lendas seculares
Recontadas p’lo povo, preito tradicional
Pois, quando se festejam os santos populares
São tradições bairristas do nosso Portugal
A cantadeira ambulante
Pedro Homem de Melo / Jaime Santos *fado alfacinha*
Repertório de Teresa Tarouca
A cantadeira ambulante / Canta-nos tão devagar!
Ao pé dela, nesse instante / Só para a ouvir cantar;
Os noivos passam - não cessa / O encanto dessa cantiga!
Tristeza que não castiga / Porque o amor é promessa
A cantadeira ambulante / Canta-nos tão devagar!
Ao pé dela, nesse instante / Só para a ouvir cantar;
Passam dois velhos – má sorte / A dor daquela cantiga!
Voz negra, voz inimiga / Onde há pronúncios de morte
A cantadeira ambulante / Canta-nos tão devagar!
Ao pé dela, nesse instante / Só para a ouvir cantar;
Passa um menino – tão brando / O som daquela cantiga!
E a canção da rapariga / Vai fugindo e vai brincando
Repertório de Teresa Tarouca
A cantadeira ambulante / Canta-nos tão devagar!
Ao pé dela, nesse instante / Só para a ouvir cantar;
Os noivos passam - não cessa / O encanto dessa cantiga!
Tristeza que não castiga / Porque o amor é promessa
A cantadeira ambulante / Canta-nos tão devagar!
Ao pé dela, nesse instante / Só para a ouvir cantar;
Passam dois velhos – má sorte / A dor daquela cantiga!
Voz negra, voz inimiga / Onde há pronúncios de morte
A cantadeira ambulante / Canta-nos tão devagar!
Ao pé dela, nesse instante / Só para a ouvir cantar;
Passa um menino – tão brando / O som daquela cantiga!
E a canção da rapariga / Vai fugindo e vai brincando
Disseste que me deixavas
Mário Martins / José Lopes *fado lopes*
Repertóprio de Carlos Zel
Disseste que me deixavas
Mal o sol rompesse o dia
Madrugada nos teus olhos
A noite que os consumia
Depois disseste que a noite / Guardaria o teu segredo
Fim de tarde, sol a pôr-se / Amor, ainda é muito cedo
De olhos fechados, ficaste / Corpo estendido, à espera
Que a noite do meu desejo / Te trouxesse a primavera
Depois, abrimos os olhos / À noite que não havia
O céu era um arco-íris / Não era noite nem dia
Repertóprio de Carlos Zel
Disseste que me deixavas
Mal o sol rompesse o dia
Madrugada nos teus olhos
A noite que os consumia
Depois disseste que a noite / Guardaria o teu segredo
Fim de tarde, sol a pôr-se / Amor, ainda é muito cedo
De olhos fechados, ficaste / Corpo estendido, à espera
Que a noite do meu desejo / Te trouxesse a primavera
Depois, abrimos os olhos / À noite que não havia
O céu era um arco-íris / Não era noite nem dia
Sonhar
Letra e musica de Maurício do Vale
Repertório de Dulce Guimarães
A fonte quente onde um dia tu nasceste
Na velha praça onde, alegre, tu saltaste
E a casa antiga onde, em tempos, tu cresceste
São sonhos meus desde que por lá passaste
Perto do rio onde, ao lado, tu correstes
Até à foz onde, um dia te encontrei
Ficava a terra onde, cedo, te perdeste
E esta estrada onde eu, já tarde, passei
Ai, é tão bom sonhar
Ouve bem o que te digo
Eu sonho a cantar
E canto a sonhar contigo
Ficam meus olhos a olhar para os teus passos
Sempre que dizes adeus e te vais embora
Fico à espera que me apertes nos teus braços
P’ra não mais me deixares p’la vida fora
Quisera eu, neste sonho realidade
Voltar à praça e também à fonte quente
Partir de novo, tempo fora, sem idade
Cantar a vida no amor que a gente sente
Repertório de Dulce Guimarães
A fonte quente onde um dia tu nasceste
Na velha praça onde, alegre, tu saltaste
E a casa antiga onde, em tempos, tu cresceste
São sonhos meus desde que por lá passaste
Perto do rio onde, ao lado, tu correstes
Até à foz onde, um dia te encontrei
Ficava a terra onde, cedo, te perdeste
E esta estrada onde eu, já tarde, passei
Ai, é tão bom sonhar
Ouve bem o que te digo
Eu sonho a cantar
E canto a sonhar contigo
Ficam meus olhos a olhar para os teus passos
Sempre que dizes adeus e te vais embora
Fico à espera que me apertes nos teus braços
P’ra não mais me deixares p’la vida fora
Quisera eu, neste sonho realidade
Voltar à praça e também à fonte quente
Partir de novo, tempo fora, sem idade
Cantar a vida no amor que a gente sente
Companheiro
Pedro Homem de Melo / Manuel Lima Brumond
Repertório de Teresa Tarouca
Negaram-lhe a luz / Negaram-lhe a água
Negaram-lhe o vinho / As rosas, o pão
Meu único amigo / Meu único irmão
Não teve jazigo / Não teve caixão
E se encontrou cama / Onde ainda se deite
É porque a beleza / É feita de mágoa
Meu único amigo / Meu único irmão
Não teve jazigo / Não teve caixão
Embrulhou-o a lua / Em seu cobertor
Meu único amigo / Meu único amor
Não teve jazigo / Não teve caixão
Teve uma guitarra / O meu coração
Repertório de Teresa Tarouca
Negaram-lhe a luz / Negaram-lhe a água
Negaram-lhe o vinho / As rosas, o pão
Meu único amigo / Meu único irmão
Não teve jazigo / Não teve caixão
E se encontrou cama / Onde ainda se deite
É porque a beleza / É feita de mágoa
Meu único amigo / Meu único irmão
Não teve jazigo / Não teve caixão
Embrulhou-o a lua / Em seu cobertor
Meu único amigo / Meu único amor
Não teve jazigo / Não teve caixão
Teve uma guitarra / O meu coração
Ciganos
Pedro Homem de Melo / Belo Marques *fado fora d’horas*
Gravação de: Teresa Tarouca
Repertório de João Braga
Ciganos, vou cantar não a beleza
Dos vossos corações que não conheço
Mas esse busto de medalha e preço
Que nem é carne vã, nem alma acesa
Saúdo em vós o corpo unicamente
Desumano e cruel como uma chama
Em vós saúdo a graça omnipotente
Do lírio que ainda flor por entre a lama
A vossa vida não pertence ao rei
Não mutilaste estradas verdadeiras
Quem ama a liberdade, odeia a lei
Que deu á terra a foice das fronteiras
E enquanto o aroma e a brisa e até as almas
Ficam irmãs das pérolas roubadas
As mãos dos homens que vos são negadas
Tremem quando passais, mas batem palmas
Gravação de: Teresa Tarouca
Repertório de João Braga
Ciganos, vou cantar não a beleza
Dos vossos corações que não conheço
Mas esse busto de medalha e preço
Que nem é carne vã, nem alma acesa
Saúdo em vós o corpo unicamente
Desumano e cruel como uma chama
Em vós saúdo a graça omnipotente
Do lírio que ainda flor por entre a lama
A vossa vida não pertence ao rei
Não mutilaste estradas verdadeiras
Quem ama a liberdade, odeia a lei
Que deu á terra a foice das fronteiras
E enquanto o aroma e a brisa e até as almas
Ficam irmãs das pérolas roubadas
As mãos dos homens que vos são negadas
Tremem quando passais, mas batem palmas
Povo
Pedro Homem de Melo
Poema completo que deu origem ao fado *Povo que lavas no rio*
Povo que lavas no rio / Que vais ás feiras e á tenda
Que talhas com teu machado / As tábuas do meu caixão
Pode haver quem te defenda / Quem turve o teu ar sadio
Quem compre o teu chão sagrado / Mas a tua vida não
Meu cravo branco na orelha / Minha camélia vermelha
Meu verde manjericão
Ó natureza vadia / Vejo uma fotografia
Mas a tua vida não
Fui ter á mesa redonda / Bebendo em malga que esconda
O beijo, de mão em mão
Água pura, fruto agreste / Fora o vinho que me déste
Mas a tua vida não
Procissões de praia e monte / Areias, píncaros, pássaros
Atrás dos quais os meus vão
Qu é dos cantaros da fonte? / Guardo o jeito desses braços
Mas a tua vida não
Aromas de urze e de lama / Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Bruxas e lobas, estrelas / Tive o dom de conhecê-las
Mas a tua vida não
Subi ás frias montanhas / Pelas veredas estranhas
Onde os meus olhos estão
Rasguei certo corpo ao meio / Vi certa curva em teu seio
Mas a tua vida não
Só tu! só tu és verdade / Quando o remorso me invade
E me leva á confissão
Povo, povo, eu te pertenço / Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não
Poema completo que deu origem ao fado *Povo que lavas no rio*
Povo que lavas no rio / Que vais ás feiras e á tenda
Que talhas com teu machado / As tábuas do meu caixão
Pode haver quem te defenda / Quem turve o teu ar sadio
Quem compre o teu chão sagrado / Mas a tua vida não
Meu cravo branco na orelha / Minha camélia vermelha
Meu verde manjericão
Ó natureza vadia / Vejo uma fotografia
Mas a tua vida não
Fui ter á mesa redonda / Bebendo em malga que esconda
O beijo, de mão em mão
Água pura, fruto agreste / Fora o vinho que me déste
Mas a tua vida não
Procissões de praia e monte / Areias, píncaros, pássaros
Atrás dos quais os meus vão
Qu é dos cantaros da fonte? / Guardo o jeito desses braços
Mas a tua vida não
Aromas de urze e de lama / Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Bruxas e lobas, estrelas / Tive o dom de conhecê-las
Mas a tua vida não
Subi ás frias montanhas / Pelas veredas estranhas
Onde os meus olhos estão
Rasguei certo corpo ao meio / Vi certa curva em teu seio
Mas a tua vida não
Só tu! só tu és verdade / Quando o remorso me invade
E me leva á confissão
Povo, povo, eu te pertenço / Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não
Sinais
Rosa Lobato Faria / Faria Frederico Valério
Repertório de Dulce Guimarães
Sinais de vento nos cabelos da paixão
Sinais do tempo de tanto sofrer em vão
Sinais da chuva sobre um rosto macerado
Porque desse amor passado
Só sobrou o coração
Sinais de amargura
De loucura e de abandono
Sinais de aventura
A marcar noites sem sono
E vou como louca
Sem ter rumo e sem ter porto
Achar no meu corpo
Os sinais da tua boca
Sinais de bruma no caminho que era o meu
Sinais de espuma da maré que já desceu
Sinais de neve no teu coração gelado
Que não vê que o meu, coitado
Só guardou sinais do teu
Repertório de Dulce Guimarães
Sinais de vento nos cabelos da paixão
Sinais do tempo de tanto sofrer em vão
Sinais da chuva sobre um rosto macerado
Porque desse amor passado
Só sobrou o coração
Sinais de amargura
De loucura e de abandono
Sinais de aventura
A marcar noites sem sono
E vou como louca
Sem ter rumo e sem ter porto
Achar no meu corpo
Os sinais da tua boca
Sinais de bruma no caminho que era o meu
Sinais de espuma da maré que já desceu
Sinais de neve no teu coração gelado
Que não vê que o meu, coitado
Só guardou sinais do teu
Pátria
Pedro Homem de Melo / Manuel Lima Brumond
Repertório de Teresa Tarouca
A pátria não é apenas
Um corpo de bailador
Não são duas mãos morenas
Nem mesmo um beijo de amor
Mais do que os livros que lemos
Mais que os amigos que temos
Mais até que a mocidade;
A pátria, realidade
Vive em nós porque vivemos
Repertório de Teresa Tarouca
A pátria não é apenas
Um corpo de bailador
Não são duas mãos morenas
Nem mesmo um beijo de amor
Mais do que os livros que lemos
Mais que os amigos que temos
Mais até que a mocidade;
A pátria, realidade
Vive em nós porque vivemos
Bom dia tristeza
José Luís Perales / Adaptação: Rosa Lobato Faria
Repertório de Dulce Guimarães
No dia em que chegaste junto a mim
Com armas e bagagens pelo chão
Olhaste-me nos olhos e… por fim
Beijaste docemente a minha mão
Até de madrugada te escutei
Falaste de saudade e solidão
E quando já cansada, despertei
Estavas dentro do meu coração
Bom dia tristeza,
Senta-te junto a mim
E diz tu se conheces
Alguém que seja feliz;
Se sabes onde mora
Abranda-me esta dor
Mas, por favor, não digas
Que o seu nome é amor
No dia em que chegaste devagar
Voaram tantos sonhos duma vez
Os teus q’inda viviam sem lutar
Os meus que já morriam sem querer
Agora estou contigo e sabes bem
Que vivo a tua única mercê
Às vezes a cantar não sei p’ra quem
Às vezes a chorar não sei porquê
Repertório de Dulce Guimarães
No dia em que chegaste junto a mim
Com armas e bagagens pelo chão
Olhaste-me nos olhos e… por fim
Beijaste docemente a minha mão
Até de madrugada te escutei
Falaste de saudade e solidão
E quando já cansada, despertei
Estavas dentro do meu coração
Bom dia tristeza,
Senta-te junto a mim
E diz tu se conheces
Alguém que seja feliz;
Se sabes onde mora
Abranda-me esta dor
Mas, por favor, não digas
Que o seu nome é amor
No dia em que chegaste devagar
Voaram tantos sonhos duma vez
Os teus q’inda viviam sem lutar
Os meus que já morriam sem querer
Agora estou contigo e sabes bem
Que vivo a tua única mercê
Às vezes a cantar não sei p’ra quem
Às vezes a chorar não sei porquê
Violeta mulher
Pedro Homem de Melo / Manuel Lima Brumond
Repertório de Teresa Tarouca
Ficaste solteira
Tão triste e coitada
Vendo á tua beira
Tua irmã casada
Solteira ficaste / Quase morta em vida
Como a flor na haste / Por ninguém colhida
Teus olhos morenos / De tão longo olhar
Quem os viu pequenos / Não os viu chorar
Teus lábios sem côr / Teus lábios sombrios
Quem os julgou frios / Não lhes deu calor
Violeta que enleias / Muito mais que a rosa
Chamaram-te feia? / Chamo-te formosa!
Repertório de Teresa Tarouca
Ficaste solteira
Tão triste e coitada
Vendo á tua beira
Tua irmã casada
Solteira ficaste / Quase morta em vida
Como a flor na haste / Por ninguém colhida
Teus olhos morenos / De tão longo olhar
Quem os viu pequenos / Não os viu chorar
Teus lábios sem côr / Teus lábios sombrios
Quem os julgou frios / Não lhes deu calor
Violeta que enleias / Muito mais que a rosa
Chamaram-te feia? / Chamo-te formosa!
Dona do fado
Frederico de Brito / Ferrer Trindade
Repertório de Dulce Guimarães
Sempre que canto este fado, sinto alegria
De recordar o passado e a Mouraria
Lembrar aquelas branquinhas vielas de tanta saudade
Que deviam ser, portanto, a graça, o encanto de toda a cidade
Velha Lisboa, dona do fado
Sabe cantigas daquelas antigas
Que fazem chorar
Duma canoa que o Tejo irado
Doido a levasse e p’ra sempre ficasse
Perdida no mar
Esta Lisboa garrida, é mais Lisboa
Numa janela florida da Madragoa
No Bairro Alto, de negro basalto, mas cheio de fama
Ou naquele aspecto belo que tem o Castelo, vizinho de Alfama
Repertório de Dulce Guimarães
Sempre que canto este fado, sinto alegria
De recordar o passado e a Mouraria
Lembrar aquelas branquinhas vielas de tanta saudade
Que deviam ser, portanto, a graça, o encanto de toda a cidade
Velha Lisboa, dona do fado
Sabe cantigas daquelas antigas
Que fazem chorar
Duma canoa que o Tejo irado
Doido a levasse e p’ra sempre ficasse
Perdida no mar
Esta Lisboa garrida, é mais Lisboa
Numa janela florida da Madragoa
No Bairro Alto, de negro basalto, mas cheio de fama
Ou naquele aspecto belo que tem o Castelo, vizinho de Alfama
Pedi à vida, saudade
Mané / Franklin Godinho
Repertório de Mané Santos
Perguntou-me a vida um dia
Quem gostaria de ser
Era tarde e eu não sabia
Que vinha para morrer
Tive sede do teu corpo / Minha cama pediu pão
Chamei, chamei, sem cessar / E a vida disse-me não
Busquei na voz, a verdade / Dum fado apenas por mim
Pedi à vida, saudade / E a vida disse-me sim
Mas quando o corpo morrer / E o mundo se rir em vão
Pergunta se nos deixamos / E a vida dirá que não
Repertório de Mané Santos
Perguntou-me a vida um dia
Quem gostaria de ser
Era tarde e eu não sabia
Que vinha para morrer
Tive sede do teu corpo / Minha cama pediu pão
Chamei, chamei, sem cessar / E a vida disse-me não
Busquei na voz, a verdade / Dum fado apenas por mim
Pedi à vida, saudade / E a vida disse-me sim
Mas quando o corpo morrer / E o mundo se rir em vão
Pergunta se nos deixamos / E a vida dirá que não
Ansiedade
Sarábia Rodrigues / José Henrique / Versão: Fagner e Fausto Nilo
Repertório de Dulce Guimarães
Ansiedade de ter-te nos meus braços
Murmurando palavras de amor
Ansiedade de ter os teus encantos
E a tua boca voltar a beijar
Quem sabe estão chorando os meus pensamentos
E as lágrimas são pérolas que caem ao mar
O eco adormecido desse meu lamento
Fez-te estar presente no meu sonhar
Quem sabe estás chorando ao recordar-me
E abraças o meu retrato com frenesim
E chega ao teu ouvido a melodia selvagem
Que é toda essa tristeza de estar sem ti!
Repertório de Dulce Guimarães
Ansiedade de ter-te nos meus braços
Murmurando palavras de amor
Ansiedade de ter os teus encantos
E a tua boca voltar a beijar
Quem sabe estão chorando os meus pensamentos
E as lágrimas são pérolas que caem ao mar
O eco adormecido desse meu lamento
Fez-te estar presente no meu sonhar
Quem sabe estás chorando ao recordar-me
E abraças o meu retrato com frenesim
E chega ao teu ouvido a melodia selvagem
Que é toda essa tristeza de estar sem ti!
Um poema em cada um
Fernando João / Miguel Ramos *fado margaridas*
Repertório de Mané Santos
Em cada um de nós há um poema
Contando novos fados, por cantar
A vida será sempre o maior tema
Dos versos que ninguém vai decifrar
Na alma, onde repousam mil quimeras
Também vão repousando mil verdades
No tempo das mais lindas primaveras
Há versos que só falam de saudades
Há sonhos construídos pela mente
Que jamais terão forma de poesia
O mundo, na coragem decrescente
Não quer sonhos rimando com poesia
As coisas do amor ainda são
A musa mais real e mais suprema
Se dermos voz ao nosso coração
Em cada um de nós há um poema
Repertório de Mané Santos
Em cada um de nós há um poema
Contando novos fados, por cantar
A vida será sempre o maior tema
Dos versos que ninguém vai decifrar
Na alma, onde repousam mil quimeras
Também vão repousando mil verdades
No tempo das mais lindas primaveras
Há versos que só falam de saudades
Há sonhos construídos pela mente
Que jamais terão forma de poesia
O mundo, na coragem decrescente
Não quer sonhos rimando com poesia
As coisas do amor ainda são
A musa mais real e mais suprema
Se dermos voz ao nosso coração
Em cada um de nós há um poema
Estranha loucura
Paulo Massadas / Michael Sullivan
Repertório de Dulce Guimarães
Minha estranha loucura
É tentar entender-te e não ser entendida
E é ficar contigo, procurando fazer parte da tua vida
Minha estranha loucura
É tentar desculpar o que não tem desculpa
E fazer dos teus erros, um motivo qualquer
E a razão da minha culpa
Minha estranha loucura
É correr p’ra os teus braços quando acaba uma briga
Dar-te sempre razão
E assumir o papel de culpada e bandida
Sempre tu a humilhar
E eu num canto qualquer dependente e total
Dessa maneira de ser
Minha estranha loucura
É tentar descobrir que o melhor é você
Eu acho que paguei
O preço por te amar demais
Enquanto, para ti, foi tanto fez ou tanto faz
Magoando pouco a pouco e perdendo sem saber
E quando eu me for embora, o que será que vais fazer
Vais sentir falta de mim, sentir falta de mim
Vais tentar esconder-te e o coração vai doer-te
Sentir falta de mim
Vais sentir falta de mim, sentir falta de mim
Vais tentar esconder-te o coração vai doer-te
Sentir falta de mim
Repertório de Dulce Guimarães
Minha estranha loucura
É tentar entender-te e não ser entendida
E é ficar contigo, procurando fazer parte da tua vida
Minha estranha loucura
É tentar desculpar o que não tem desculpa
E fazer dos teus erros, um motivo qualquer
E a razão da minha culpa
Minha estranha loucura
É correr p’ra os teus braços quando acaba uma briga
Dar-te sempre razão
E assumir o papel de culpada e bandida
Sempre tu a humilhar
E eu num canto qualquer dependente e total
Dessa maneira de ser
Minha estranha loucura
É tentar descobrir que o melhor é você
Eu acho que paguei
O preço por te amar demais
Enquanto, para ti, foi tanto fez ou tanto faz
Magoando pouco a pouco e perdendo sem saber
E quando eu me for embora, o que será que vais fazer
Vais sentir falta de mim, sentir falta de mim
Vais tentar esconder-te e o coração vai doer-te
Sentir falta de mim
Vais sentir falta de mim, sentir falta de mim
Vais tentar esconder-te o coração vai doer-te
Sentir falta de mim
Alfama e Alcochete
João Ferreira Rosa / Georgino de Sousa
Repertório de João Braga
Alcochete lembra Alfama
Por ser linda e ser diferente
Lembra a alma de quem ama
O fado da nossa gente
Ambas abraçam o Tejo / Ambas gostam de cantar
E quanto melhor as vejo / Mais eu gosto de as amar
Alfama, em mim, foi desejo / Alcochete foi ficar
Junto de ti, junto ao Tejo / Aonde quero morar
Não falo do pôr-do-sol / Não falo do teu luar
Amor, amor, sol a sol / Paixão, paixão, mais que amar
Repertório de João Braga
Alcochete lembra Alfama
Por ser linda e ser diferente
Lembra a alma de quem ama
O fado da nossa gente
Ambas abraçam o Tejo / Ambas gostam de cantar
E quanto melhor as vejo / Mais eu gosto de as amar
Alfama, em mim, foi desejo / Alcochete foi ficar
Junto de ti, junto ao Tejo / Aonde quero morar
Não falo do pôr-do-sol / Não falo do teu luar
Amor, amor, sol a sol / Paixão, paixão, mais que amar
Volta se queres
Fernando João / Nel Garcia
Repertório de Mané Santos
Volta se queres... volta, se queres ser feliz
Se queres voltar a ter sol
Em cada manhã d’esperança
Volta se queres... ao teu amor de raiz
Aonde encontras por certo
Um doce olhar de criança
Volta se queres encontrar a tua imagem
Imagem d’alguém que quer
Ser gente p’ra ser verdade
Volta se queres mudar o rumo à viagem
Que te roubou a coragem
De lutar p’la felicidade
Volta se queres... não deixes morrer o tempo
Não deixes que a voz do vento
Te desvie do que é certo
Volta se queres... que não estás longe demais
Se souberes p’ra onde vais
Todo o longe se faz perto
Repertório de Mané Santos
Volta se queres... volta, se queres ser feliz
Se queres voltar a ter sol
Em cada manhã d’esperança
Volta se queres... ao teu amor de raiz
Aonde encontras por certo
Um doce olhar de criança
Volta se queres encontrar a tua imagem
Imagem d’alguém que quer
Ser gente p’ra ser verdade
Volta se queres mudar o rumo à viagem
Que te roubou a coragem
De lutar p’la felicidade
Volta se queres... não deixes morrer o tempo
Não deixes que a voz do vento
Te desvie do que é certo
Volta se queres... que não estás longe demais
Se souberes p’ra onde vais
Todo o longe se faz perto
Loirito
Carlos Escobar / Carlos Barra
Repertório de Dulce Guimarães
Que se passa, quando passa / Na rua aquela criança?
O seu passito apressado / Faz lembrar passos de dança
Que coisinha tão bonita / Esse loirito apressado
Não resisto à tentação / De lhe cantar este fado
Faz recados aos vizinhos
Dão-lhes uns trocos e vai
Quando passa junto à tasca
Dá uns trocados ao pai
Passa agora e vai na brasa / Pisca o olho, com malícia
Fanou um pêro na praça / Vai-se a pirar ao polícia
Pira-te bem meu traquina / Não te deixes agarrar
As armadilhas da vida / Estão prontas pra te caçar
Repertório de Dulce Guimarães
Que se passa, quando passa / Na rua aquela criança?
O seu passito apressado / Faz lembrar passos de dança
Que coisinha tão bonita / Esse loirito apressado
Não resisto à tentação / De lhe cantar este fado
Faz recados aos vizinhos
Dão-lhes uns trocos e vai
Quando passa junto à tasca
Dá uns trocados ao pai
Passa agora e vai na brasa / Pisca o olho, com malícia
Fanou um pêro na praça / Vai-se a pirar ao polícia
Pira-te bem meu traquina / Não te deixes agarrar
As armadilhas da vida / Estão prontas pra te caçar
No sopro desta voz
Fernando João / Alfredo Marceneiro
Repertório de Mané Santos
No sopro desta voz que por ti vai cantando
Há vestígios marcando um sonho já desfeito
No sopro desta voz que se vai lamentando
Há versos limitando o meu amor perfeito
No sopro desta voz desenham-se poemas
Rimando singeleza com pétalas de flor
No sopro desta voz há razões bem supremas
Que mantêm acesa a chama do amor
No sopro desta voz que por ti se levanta
Há marcas de prazer inventando paixão
Vamos ouvindo a sós uma alma que canta
E vamos conhecer a voz do coração
Repertório de Mané Santos
No sopro desta voz que por ti vai cantando
Há vestígios marcando um sonho já desfeito
No sopro desta voz que se vai lamentando
Há versos limitando o meu amor perfeito
No sopro desta voz desenham-se poemas
Rimando singeleza com pétalas de flor
No sopro desta voz há razões bem supremas
Que mantêm acesa a chama do amor
No sopro desta voz que por ti se levanta
Há marcas de prazer inventando paixão
Vamos ouvindo a sós uma alma que canta
E vamos conhecer a voz do coração
Não terás a salvação
Quadra: Henrique Silva / Glosa: João de Freitas / Georgino de Sousa
Repertório de João Braga
Não terás a salvação
Por muito que vás rezar
De manhã pedes perdão
Voltas à noite a pecar
São tantos os pecados teus / Que eu tenho a convicção
Por mais que rogues a Deus / Não terás a salvação
És qual um corpo sem alma / Constantemente a penar
Pois não consegues a calma / Por muito que vás rezar
Andando em sítios soturnos / A queimares o coração
Dos teus pecados nocturnos / De manhã pedes perdão
Mas são preces sem verdade / Pois tu mesmo sem pensar
Talvez por necessidade / Voltas à noite a pecar
Repertório de João Braga
Não terás a salvação
Por muito que vás rezar
De manhã pedes perdão
Voltas à noite a pecar
São tantos os pecados teus / Que eu tenho a convicção
Por mais que rogues a Deus / Não terás a salvação
És qual um corpo sem alma / Constantemente a penar
Pois não consegues a calma / Por muito que vás rezar
Andando em sítios soturnos / A queimares o coração
Dos teus pecados nocturnos / De manhã pedes perdão
Mas são preces sem verdade / Pois tu mesmo sem pensar
Talvez por necessidade / Voltas à noite a pecar
Longa caminhada
Ana Madalena / Nel Garcia
Repertório de Mané Santos
Cheguei ao meio da vida
Desta longa caminhada;
Estou cansada, não vencida
Se respiro, tenho vida
Não posso ficar calada
Trago um recado, um poema / Para se ouvir entre nós
Do fundo do coração
É dado por minha mão / Cantado por minha voz
Peço mais amor e paz / Para bem da humanidade
Mais carinho, mais calor
Mais ternura, mais amor / Mais luta pela verdade
Cheguei ao meio da vida / Desta longa caminhada
Estou cansada, não vencida
Se respiro, tenho vida / Não quero ficar calada
Repertório de Mané Santos
Cheguei ao meio da vida
Desta longa caminhada;
Estou cansada, não vencida
Se respiro, tenho vida
Não posso ficar calada
Trago um recado, um poema / Para se ouvir entre nós
Do fundo do coração
É dado por minha mão / Cantado por minha voz
Peço mais amor e paz / Para bem da humanidade
Mais carinho, mais calor
Mais ternura, mais amor / Mais luta pela verdade
Cheguei ao meio da vida / Desta longa caminhada
Estou cansada, não vencida
Se respiro, tenho vida / Não quero ficar calada
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